BRASIL
Sábado, 09 de Janeiro de 2010, 10h:09
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DEFESA
Lula deve ignorar relatório e optar por caças franceses
DENISE CHRISPIM MARIN e VERA ROSA
Da Agência Estado Brasília
O governo Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que os caças Rafale, da companhia francesa Dassault, se encaixam em um projeto maior de defesa e, portanto, devem vencer a concorrência do projeto FX-2, de aquisição de 36 aviões de combate para a Força Aérea Brasileira (FAB). A palavra final depende apenas de acertos finais sobre o preço desse lote, estimado inicialmente em R$ 10 bilhões. Com base nessa escolha já consolidada, o Palácio do Planalto decidiu descartar qualquer referência mais favorável às aeronaves concorrentes que constar do segundo relatório do Comando da Aeronáutica, entregue na quinta-feira ao ministro da Defesa, Nelson Jobim. Como contrapartida para a Aeronáutica, que terá seu trabalho de análise praticamente ignorado na escolha final, o Planalto afasta a hipótese de punição ao comando da Força pelo recente vazamento do relatório preliminar do FX-2, de caráter confidencial. Segundo um colaborador direto do presidente Lula, a atitude foi "grave" e nociva à segurança nacional. Mas, ponderou ele, a responsabilidade pelo ato "de um brigadeiro" não pode ser imposta ao comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, cuja "lealdade é inquestionável". Em entrevista a um canal de televisão francês, o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ironizou a crise. "Com essa polêmica, os preços dos caças tendem a cair." Para o Planalto, o dado mais relevante dos relatórios da Aeronáutica é a inexistência de veto aos três caças concorrentes Desde o início do FX-2, outros três aviões de combate foram riscados pela FAB. O argumento definitivo, do ponto de vista da Presidência, não está presente na análise técnico-militar, mas na avaliação de políticas estratégica e industrial. Nesse quesito, o caça Rafale não teria concorrente. Segundo o mesmo colaborador de Lula, o FX-2 está inserido em um projeto mais amplo do governo para a área de defesa, que contempla a padronização de toda a frota de caças do País, inclusive os adaptados para um futuro porta-aviões a ser construído em parceria com a França. Esse pacote envolverá a compra de um total de 120 caças, entre os quais os 36 do projeto FX-2. Nesse plano, as condições exigidas são a transferência de tecnologia, reservas de mercado e a soberania de uso das aeronaves. Na negociação concluída no último 7 de setembro, em um hotel de Brasília, as resistências da França a alguns pontos foram limadas. O preço inicial da hora de voo, estimado em US$ 14.000 no caso do Rafale, caiu para US$ 11.000 e continuará em declínio.