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BRASIL
Quinta-feira, 05 de Março de 2009, 20h:33

PRESIDENTE

Lula acusa elite de desprezar pobres

WILSON TOSTA
Da Agência Estado - Cabo Frio
Em mais um discurso de ataque a seus opositores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou ontem as elites brasileiras de se incomodarem mais com a melhoria de condições de vida dos pobres do que com a miséria que lhes é próxima. Ao discursar na inauguração simultânea de três campi de instituições federais de ensino técnico em Cabo Frio, Volta Redonda e Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Lula também criticou os tucanos e incluiu parte da esquerda em suas críticas Elas incluíram desde o governo Fernando Henrique Cardoso, que acusou de ter inviabilizado a criação de novas escolas técnicas federais e parte do movimento estudantil - que, segundo ele, se opôs ao ProUni (programa de bolsas para pobres em universidades privadas) por não querer dividir a educação universitária com os desfavorecidos. O presidente disse que, antes dele, que cursou apenas ao antigo primário, o Brasil sempre foi governado por pessoas com curso superior e atribuiu o desprezo pela educação pública à facilidade com que os integrantes da elite sempre tiveram para estudar. "Quando criamos o ProUni, um grupo de estudantes do Brasil, normalmente ligados à elite brasileira, começaram (sic) a fazer discurso que a gente ia privatizar a educação no Brasil", afirmou ele, em ataque à esquerda estudantil radical. "Sabe por quê? No Brasil tem um tipo de gente que, se estão comendo (sic), não ficam com bronca se o outro pedir comida para ele. Eles ficam com bronca se o outro estiver na outra mesa, comendo a mesma comida deles, porque eles acham que só eles têm direito de comer." Lula acusou todos os governos que o antecederam de desprezo pela educação, mas responsabilizou o governo FHC pela falta de cursos técnicos de ensino médio. "Em 1998, o ministro da Educação (Paulo Renato Souza, cujo nome não citou) mandou o Congresso Nacional fazer uma lei tirando do governo federal a responsabilidade de fazer escolas técnicas", disse. Segundo ele, passou a ser necessário que a União fizesse convênios com prefeituras e ONGs para fazer viabilizar essas instituições. "Na teoria, é tudo muito bonito. Mas acontece que a maioria das prefeituras, sobretudo as menores, não tinha recursos para fazer escolas técnicas, muito menos uma organização da sociedade civil, uma ONG." Em autoelogio, o presidente apontou o que considerou "paradoxal": "É exatamente o presidente da República que não teve oportunidade de estudar que está fazendo as escolas que aqueles que estudaram não fizeram." Ele também lembrou a "quantidade de preconceito" que enfrentou. "Eu falava menas laranja. Hoje falo até en passant, mas falava menas laranja", brincou. VAIA O pronunciamento de Lula, transmitido da escola de Cabo Frio e Volta Redonda via TV MEC, foi marcado por piadas e metáforas futebolísticas, envolvendo os times de futebol do Vasco da Gama e do Flamengo (que precisariam de escolas técnicas de futebol, segundo o presidente) e até o atacante Ronaldo, do Corinthians. "Quase fez gol ontem (anteontem), se jogasse mais três horas fazia", ironizou o corintiano Lula, referindo-se à estreia do jogador, em partida na véspera. Lula também se equivocou ao tentar se referir à rainha Elisabeth II, do Reino Unido, a quem chamou de "Rainha Margareth". Mas a solenidade também teve pelo menos um momento de tensão, depois que o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) foi vaiado durante seu discurso. Cabral, que atribuiu as vaias a adeptos do prefeito de Nova Iguaçu, Lindbergh Farias (PT), ao voltar para se sentar, virou-se para trás e disse ao petista: "Não faz mais isso, não traz claque não".

Edição EDIÇÃO 16965




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