BRASIL
Terça-feira, 21 de Junho de 2011, 21h:37
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OBRAS DA COPA
Ideli rebate e nega revisão em sigilo
A ministra rebateu ontem o líder do governo no Senado que afirmou que os senadores poderiam "promover ajustes" na medida provisória aprovada pela Câmara
A ministra Ideli Salvatti afirmou ontem que o governo não pretende fazer modificações no projeto que determina o sigilo no orçamento das obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. Horas antes, no Congresso, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que os senadores poderiam "promover ajustes" na medida provisória aprovada pela Câmara. Ele afirmou que não pretende deixar para a presidente Dilma Rousseff a tarefa de vetar o polêmico artigo que impõe o sigilo. Ao falar à imprensa, Ideli afirmou que o Planalto não concorda com modificações no projeto que saiu da Câmara. "Até porque temos pouco tempo para o projeto tramitar." Questionada sobre a fala de Jucá, a ministra disse que "o fato é que houve uma interpretação equivocada da medida que prevê o sigilo. Ela serve para manter a competitividade. Se eu quero construir uma casa, não vou anunciar quanto estou disposta a pagar". Ideli afirmou também que conversou com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que compreendeu a posição do governo e que não se oporá à manutenção do texto como chegou à Casa. O sigilo foi aprovado pela Câmara na semana passada. Foi incluído por uma manobra de última hora na medida provisória que altera a Lei das Licitações e flexibiliza os contratos de obras e serviços dos dois eventos esportivos. A mudança no texto tirou dos órgãos de fiscalização, como os tribunais de contas, o direito de consultar os orçamentos estimados pelo governo antes da escolha das empresas responsáveis pela execução dos projetos. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse ontem que os senadores poderão promover "ajustes" na medida provisória aprovada pela Câmara que mantém em sigilo orçamentos de obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. Jucá disse que não pretende deixar para a presidente Dilma Rousseff a tarefa de vetar o polêmico artigo que impõe o sigilo, por isso caberá ao Senado aprimorar o texto. O líder governista, porém, não falou em vetar o artigo que impôs o sigilo - como defende o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "Vamos esperar chegar no Senado o projeto, mas se tivermos prazo, poderemos ajustar a matéria, mudar alguma coisa no texto aprovado pela Câmara. Colocar o veto para a presidente talvez não seja o melhor caminho", afirmou. LÍDER A ministra Ideli Salvatti disse ontem que ainda não há definição da presidenta Dilma Rousseff sobre um nome para exercer a liderança do governo no Congresso. Ideli Salvatti estranhou que haja uma "rebelião" do PMDB da Câmara, desgostosos com as informações não oficiais sobre o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) ser o escolhido para o cargo. "Rebelião? Primeiro que não há nenhuma decisão em relação a Eduardo Braga. A presidenta ainda não decidiu a liderança do governo no Congresso e eu estou recebendo todas as bancadas. Já recebi o PR, o PTB. Daqui a pouco vou conversar com o PMDB da Câmara e do Senado", disse. A ministra, no entanto, afirmou que o governo tem pressa em chegar a um nome e que isso deve ocorrer nos próximos dias. "Imagino que teremos uma decisão em breve, até porque, em termos de Congresso, temos a decisão da LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias], que estamos praticamente no limite". Sem a votação da LDO, os deputados e senadores não podem entrar em recesso em julho. "Se o PMDB da Câmara e do Senado quiserem vir separados, se tivermos que fazer reuniões separadas, de minha parte não tem nenhum problema. Volto a dizer que, em relação a liderança do governo no Congresso, não há definição", afirmou.