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BRASIL
Quinta-feira, 22 de Julho de 2010, 20h:58

DEPOIMENTOS

Goleiro e seus amigos não abrem a boca

Segundo o juizado, os depoimentos de ontem buscavam esclarecer a participação do adolescente J., de 17 anos, primo de Bruno, no desaparecimento de Eliza

ELIANE SOUZA e JULIA BAPTISTA
Especial para a AE - BH
O goleiro Bruno Fernandes e seus amigos Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, suspeitos de envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do atleta, deixaram ontem o Juizado da Infância e da Juventude, em Contagem (MG), sem dizer uma palavra. Eles permaneceram no local por cerca de meia hora. Os depoimentos buscavam esclarecer a participação do adolescente J., de 17 anos, primo de Bruno, no desaparecimento de Eliza. "Ele não vai repetir palavras que não foram ditas e sim colocadas na boca dele. Essa história de mão jogada pra cachorro não existe", disse Eliezer Jonatas de Almeida, advogado do adolescente. Mas o promotor Gustavo Fantini disse ontem à tarde que já tem todos os elementos que comprovam a participação de J. no crime. Fantini, no entanto, ainda não confirmou a informação de que o menor esteja envolvido no suposto assassinato e ocultação de cadáver. Ao final do depoimento, Bruno saiu sorridente do Juizado da Infância e Juventude de Contagem, na Grande Belo Horizonte, sob gritos de "assassino, assassino", vindos de pessoas que estavam do lado de fora do local. Antes de entrar no Juizado, Almeida afirmou que, como seu cliente já falou com o juiz, não haveria necessidade de falar novamente ontem. Ele disse ainda que J. está aliviado, mas ansioso. Perguntado se foi a polícia que colocou as palavras na boca do rapaz, o advogado respondeu: "Vocês deduzem". Caso seja considerado culpado, J. pode cumprir medida socioeducativa de até três anos de internação. O Ministério Público e o advogado de defesa dele têm 24 horas cada para apresentar as alegações finais ao juiz. Almeida disse ainda que o menor sustenta que foi simplesmente contratado para dar um susto em Eliza. "Ele nunca soube quem é Bola e também não levou a polícia na casa do Bola". O advogado alega ainda que J. teria sido agredido com um "tapa na cara" quando prestou depoimento no Rio de Janeiro. Mesmo assim, o advogado disse que não vai pedir a anulação dos depoimentos que já foram feitos porque estão apenas no inquérito e não na Justiça. Já a defesa dos outros suspeitos disseram apenas que seus clientes não falariam. LIBERDADE O Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou ter recebido na tarde de ontem mais um pedido de liberdade em favor de Bruno Fernandes. A assessoria de imprensa do TJ-MG disse que o pedido não partiu de um advogado, mas de um cidadão, cujo nome não foi divulgado. O desembargador Doorgal Andrada, da 4ª Câmara Criminal, deve julgar este e outro pedido feito anteontem, entre a noite de ontem e hoje, já que é uma medida em caráter de urgência. Outros três pedidos de liberdade já haviam sido impetrados em nome de Bruno Fernandes entre anteontem e ontem. De acordo com a assessoria do TJ, dois foram arquivados; e um negado. O desembargador já havia negado dois pedidos de habeas corpus em favor de Bruno no último dia 15.

Edição EDIÇÃO 16959




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