BRASIL
Terça-feira, 27 de Julho de 2010, 19h:15
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OPERAÇÃO
Federal prende 20 acusados de pedofilia
O número de prisões é recorde no País em operações desse tipo. A pedofilia está se alastrando e se tornando cada vez mais chocante em todo o território nacional
VANNILDO MENDES
Da Agência Estado Brasília
A Polícia Federal prendeu ontem em flagrante, em nove Estados e no Distrito Federal, durante a operação Tapete Persa, 20 pessoas acusadas de abuso sexual de crianças, exploração pornográfica e difusão de pedofilia pela Internet. Entre as vítimas de abusos sexuais registrados nas imagens apreendidas, há desde bebês de seis meses a meninos e meninas de todas as idades. O número de prisões é recorde no País em operações desse tipo. Segundo a PF, a pedofilia está se alastrando e se tornando cada vez mais chocante em todo o território nacional. Entre os presos há adultos de diversas profissões e classes sociais, incluindo quatro idosos com mais de 60 anos, um coronel da Polícia Militar (cujo Estado não foi divulgado) e até um menor de idade, encaminhado a uma instituição tutelar para adoção de medida socioeducativa. As ações, que se prolongaram até o início da noite de ontem, alcançaram 54 cidades, nas quais foram cumpridos 81 mandados de busca e apreensão de computadores, DVDs e mídias diversas contendo pornografia infantil. Mais da metade das prisões e um terço das buscas foram cumpridas em São Paulo e em 14 cidades do interior do Estado. Os demais Estados alcançados pela operação foram Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Ceará e Alagoas, além de Brasília. Coordenada pela Divisão de Direitos Humanos da PF, a operação foi desencadeada em diversos países, com a cooperação com a Interpol e a Polícia Criminal de Baden-Wurttenberg, na Alemanha, onde a investigação teve origem há dois anos. NÍVEL GLOBAL Essa foi a maior operação da área em nível global, baseada na cooperação policial e jurídica entre nações. Atingiu diretamente, num mesmo dia, cerca de 30 países com usuários de pornografia infantil. O Brasil figura na lista como o quarto do ranking, tanto em número de usuários e divulgadores de pedofilia, como no de produtores de material pornográfico. Perdeu apenas para Alemanha, Espanha e Inglaterra, nessa ordem. Entre os presos em flagrante com a posse de material pornográfico, cerca de 30% são também molestadores de menores e foram indiciados pela produção de imagens, fotos e vídeos de crianças abusadas. Em pelo menos um caso, as imagens apreendidas foram produzidas no próprio endereço da busca. Há casos em que o pedófilo usou enteados, filhos de vizinhos e até parentes sanguíneos na produção das imagens pornográficas. Em alguns endereços devassados, a polícia apreendeu armas e drogas. Devido à complexidade do rastreamento, só metade dos computadores apreendidos foi devidamente devassada. Na continuidade da investigação, outras prisões podem ocorrer. Alguns alvos não estavam em casa no momento da busca e devem ter mandado de prisão decretado pela justiça nos próximos dias. As identidades dos presos e das vítimas não foram reveladas pela polícia. Para os casos mais graves - de pedófilos que também abusam de crianças e produzem imagens pornográficas para distribuição na rede - a PF vai pedir que a prisão provisória dure o tempo que for necessário à investigação, de preferência até o julgamento dos criminosos. Os presos serão enquadrados em vários artigos do Código de Processo Penal e do Estatuto da Criança e do Adolescente. Os casos mais graves estão sujeitos a penas cumulativas de até 15 anos de reclusão. Os tipos criminais já confirmados são: estupro de vulnerável, exploração sexual e produção, armazenamento e divulgação de pornografia infantil pela Internet.