BRASIL
Segunda-feira, 09 de Junho de 2008, 20h:03
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MINISTROS NA ELEIÇÃO
Divergência adia orientação para atuação
O ministro das Relações Institucionais disse temer que as disputas municipais provoquem rachas na base aliada do governo
LEONENCIO NOSSA e TÂNIA MONTEIRO
Da Agência Estado Brasília
Divergências entre os ministros sobre a participação na campanha eleitoral fora de seus Estados de origem levaram o governo a adiar para a próxima semana as determinações sobre a conduta a ser adotada no processo eleitoral, um dos temas da reunião ministerial realizada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do adiamento, decidido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, em longa exposição sobre as restrições da lei eleitoral, fez uma série de recomendações aos ministros: não viajar aos seus Estados às custas do governo para eventos eleitorais, mesmo nos fins de semana, quando costumam deixar Brasília; não usar carros oficiais em locais de campanha; não realizar de forma casada eventos do ministério com eventos políticos. ALERTA Toffoli alertou que os juízes costumam fazer interpretações próprias da legislação eleitoral. "O juiz poderá entender que houve uso da máquina pública na campanha", alertou, conforme relato do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. A divergência ocorreu, segundo o ministro de Relações Institucionais, diante da sua proposta para que os ministros não subissem em palanque fora dos seus Estados, restringindo sua participação aos Estados de origem. José Múcio não quer nem que os ministros participem de gravações para candidatos de outros Estados. "Fui voto vencido", revelou. MILITÂNCIA Ministros de efetiva militância política ou que atuam como dirigentes partidários contra-argumentaram, de acordo com Múcio, que precisam apoiar candidatos de suas legendas em outros Estados. Integram este grupo os ministros Márcio Fortes (Cidades), Orlando Silva (Esportes), Tarso Genro (Justiça), Edison Lobão (Minas e Energia), Alfredo Nascimento (Transportes) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). Diante da divergência, o presidente da República marcou para a próxima semana nova reunião, apenas com os ministros de militância política, que deverão receber de Toffoli uma cartilha com as recomendações sobre como se comportar nas eleições. O ministro das Relações Institucionais disse temer que as disputas municipais provoquem rachas na base aliada do governo. Confirmou que o presidente Lula não fará campanha nos municípios em que houver mais de um aliado na disputa. Indagado sobre a participação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na campanha eleitoral no Rio Grande do Sul, José Múcio foi lacônico. "Não foi fulanizada a participação dos ministros", declarou.