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BRASIL
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 20h:18

COBRANÇA

Dilma condena taxação de bancos

ANDREI NETTO, correspondente e JOÃO DOMINGOS, enviado especial
Da Agência Estado – Bruxelas
Num ano eleitoral em que ela própria disputa a Presidência da República pelo PT, a ex-ministra Dilma Rousseff rejeitou a recomendação da União Europeia de cobrança de uma taxa dos bancos para a prevenção de crises que possam surgir no sistema financeiro. Isso, logo depois de se encontrar com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que defendeu a medida na frente dela. "No Brasil, ao contrário daqui e dos Estados Unidos, os bancos não tiveram problemas. Nós temos regras muito rígidas; aqui foram frouxas. Nós cobramos um depósito compulsório muito alto de todos os bancos. Por isso, discordamos totalmente dessa proposta", afirmou a ex-ministra. BANCOS Ainda ao lado de Dilma Rousseff, Durão Barroso havia defendido a taxação dos bancos. "Nós achamos que faz sentido, perante a crise financeira, criada justamente por comportamentos irresponsáveis no setor financeiro, que se procure criar uma taxa, uma espécie de seguro para garantir que se houver uma nova crise, não sejam os contribuintes que paguem a operação de salvamento dos bancos", afirmou o presidente da Comissão Europeia. Informado de que a posição do Brasil era contrária à medida, Durão Barroso disse que a União Europeia está sugerindo a taxação dos bancos, impondo a medida. "A UE propõe, não impõe, mas achamos que é importante e faz sentido. O Brasil não teve os problemas que a Europa teve agora. Ainda bem, parabéns ao Brasil Mas para nós é melhor ter um quadro comum, aquilo que em inglês chamam de 'level plane field'. IRÃ Dilma e Durão Barroso discordaram também em relação ao Irã e à energia nuclear. A União Europeia propõe medidas duras contra o país; o Brasil intermediou um acordo que não deu certo. Mas o político português não quis arrumar polêmica. "Saudamos a decisão tomada do Brasil e Turquia, reconhecemos que foi uma contribuição positiva, infelizmente não deu o resultado global. Por isso, tomamos a posição que foi expressa pelos 27 chefes de Estado e governo (da União Europeia, de condenação ao Irã), mas com certeza queremos continuar a trabalhar com o Brasil nessa questão e estamos reconhecidos ao presidente Lula pelo esforço diplomático que ele fez e pela sua convicção profunda na paz". Dilma afirmou que o Brasil continuará a insistir numa solução negociação para o Irã. "O Brasil acha que sanções, retaliações e todas as demais, esse tipo de confronto não leva a coisa alguma. Foram feitas quatro rodadas de sanções e não deram resultado". Ela disse que Durão Barroso sabe perfeitamente qual é a posição do Brasil, que votou na ONU contra as sanções, explicou por que votou, e apostou que o diálogo constrói mais do que a sanção.

Edição EDIÇÃO 16959




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