BRASIL
Sexta-feira, 30 de Julho de 2010, 18h:47
A
A
CASO BRUNO
Delegado diz que Bruno planejou crime
Segundo o delegado Edson Moreira, o goleiro planejou tudo bem antes do recesso para a Copa do Mundo e deu ordens para matar a ex-amante
ELIANE SOUZA
Da Agência Estado Belo Horizonte, MG
O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, disse ontem que o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes planejou usar o período da Copa do Mundo da África do Sul para sequestrar e matar Eliza Samudio, de 25 anos, sua ex-amante. Para Moreira, o período foi escolhido pela ausência de jogos do clube. "Já estava tudo previamente planejado desde maio", disse o delegado. Nas palavras de Moreira, Bruno é o "autor intelectual" do crime e, ainda segundo o delegado, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, já estava contratado desde fevereiro para executar o crime. Moreira disse já ter sido solicitada a conversão das prisões temporárias dos suspeitos em preventivas, que valem até o fim de um possível julgamento. A Polícia pediu ainda a prisão preventiva de Fernanda Gomes de Castro, de 31 anos, amante do goleiro, por suspeita de envolvimento no desaparecimento de Eliza. Ela é a única dos nove indiciados que está em liberdade. O inquérito sobre o caso foi concluído quinta-feira e as informações, apresentadas ontem à imprensa. Bruno e mais oito pessoas foram indiciadas por homicídio, sequestro, cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado como executor, foi indiciado por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima), formação de quadrilha e ocultação de cadáver. O Ministério Público de Minas Gerais informou que já recebeu o inquérito ontem. O documento tem 1,6 mil páginas e foi entregue ao promotor Gustavo Fantini. Ele tem até o dia 6 de agosto para decidir se oferece denúncia contra os indiciados. A promotoria também pode denunciar ou pedir novas diligências. PROVAS TÉCNICAS - As provas técnicas incluídas pela Polícia Civil de Minas Gerais no inquérito destacaram os registros feitos pelas antenas de telefonia celular. Segundo o relatório, o sistema de telefonia registrou trajetos que coincidem com o deslocamento de Eliza do Rio de Janeiro a Minas Gerais e com a ida dela do sítio de Bruno até a casa de Bola, onde a polícia afirma que ela foi executada, em 10 de junho. Eliza desaparecera um dia antes. A polícia afirma que os dados obtidos com a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos coincidem com os depoimentos prestados e demonstram a ligação entre eles. Os dados do sistema de localização GPS da Range Rover de Bruno e conduzida por Luiz Henrique Romão, o Macarrão, também reforçam as versões apresentadas em depoimentos. O sangue encontrado no carro é da vítima, assim como um par de sandálias e óculos escuros que foram reconhecidos por amigas dela. As provas técnicas incluem também a fralda tamanho P/M encontrada em uma das suítes do motel em Contagem - que teria sido ocupada por Eliza, o bebê dela, Bruno, Fernanda, Macarrão e o adolescente J., de 17 anos -, além das fotos queimadas da criança encontradas em um ponto próximo à cerca do sítio do goleiro. Também foram incluídos diversos laudos de perícias nos computadores de Eliza e Macarrão, que demonstraram a existência de fotografias da criança e de Bruno, de um contrato, no notebook de Macarrão, a ser firmado entre Eliza e Bruno, com data de 8 de junho de 2010 (quando ela estava no sítio) e uma procuração em branco. As gravações de entrevistas feitas pelos suspeitos, pelo irmão de Dayanne de Souza, ex-mulher de Bruno, e pelo tio do menor à imprensa foram anexadas ao inquérito, bem como o vídeo gravado por Eliza na saída de uma delegacia no Rio, onde ela denunciou ter sido forçada a beber substâncias abortivas. Questionado sobre a possibilidade de Eliza estar viva, como aventou a defesa do goleiro, Edson Moreira disse que ela não abandonaria seu filho, cujo pai seria o atleta, porque a criança significaria uma vida estável para ela, caso a paternidade fosse confirmada. Para ele, esta é uma prova de que a mulher está morta. "O filho era uma garantia de pensão alimentícia razoável e duradoura", disse Moreira. DNA - Moreira disse também que o sangue com DNA masculino encontrado no jipe Range Rover do goleiro é do adolescente J., primo do atleta. O carro é o local onde, segundo a polícia, Eliza foi golpeada na cabeça com uma coronhada. Houve luta corporal entre os dois. O menor admitiu a agressão. Conforme Moreira, como o adolescente se recusou a fornecer material para exame de DNA, a polícia colheu saliva de um copo descartável no qual J. bebeu água. Moreira afirmou ainda que as buscas pelo corpo de Eliza vão continuar, mesmo com a conclusão do inquérito, que tem oito volumes e 1,6 mil páginas. PAI - O pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, foi até o Departamento de Investigações nesta tarde e chorou durante a entrevista do delegado. Segundo ele, "ainda tenho esperança de encontrar o corpo e prestar a última homenagem".