BRASIL
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008, 20h:55
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CARTÕES CORPORATIVOS
CPI mista não abrirá espaço à oposição
A oposição deu prazo até as 14h de hoje para o governo decidir se quer partilhar o comando da CPI ou se parte para o confronto
CHRISTIANE SAMARCO e EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado Brasília
Maior defensor de um entendimento entre governo e oposição para evitar duas CPIs para investigar o mau uso dos cartões corporativos, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), jogou a toalha. "É pequena a chance de um acordo", avaliou ontem, no final da tarde. Ainda assim, a oposição deu prazo até as 14h de hoje para o governo decidir se quer partilhar o comando da CPI de deputados e senadores ou se parte para o confronto e enfrenta a segunda comissão sobre o mesmo assunto. Sob pressão do DEM e do PSDB, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), já anunciou que, sem acordo, não terá alternativa senão a leitura do requerimento que pede uma investigação exclusiva de senadores, criando a segunda CPI. A oposição sabe que a simples criação da CPI não é sinônimo de começo das investigações. Tanto é assim que quatro outros pedidos de CPI já foram lidos e aguardam, na fila, a abertura do inquérito. Diferentemente da Câmara, o Regimento Interno do Senado não fixa um número limite de CPIs funcionando simultaneamente. Mas o próprio Garibaldi advertiu que só um acordo de lideranças definirá se a CPI dos Cartões será instalada antes ou depois das CPIs da Petrobras, da Pedofilia, do DNIT e do Apagão Educacional, que estão na frente. O maior obstáculo ao entendimento está no PT, que não quer dever favores ao PMDB, com o argumento de que são os petistas que sempre pagam a conta cedendo espaço de poder no governo e no Congresso. Defensor do entendimento, o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), aposta que o governo não cederá espaço à oposição porque estão todos pensando nas eleições de 2008 e 2010. "O governo tem certeza de que a oposição começou a esticar a corda na CPMF e não vai mais parar de tensionar até 2010", diz Casagrande, convencido de que o maior prejudicado não será o Planalto, mas o Senado. A seu ver, uma CPI será do governo e a outra da oposição e não se vai conseguir unidade para investigar em nenhuma delas. "Vai ser muita algazarra para pouco resultado, aumentando o desgaste do Senado", conclui. Na mesma linha, o líder Jucá diz que "é ridículo" ter duas CPIs. TUMULTO Neste cenário de tumulto do ambiente político com dois inquéritos, a tática da oposição será a de desmoralizar a "CPI chapa-branca" e mostrar que os governistas não têm interesse de investigar coisa alguma. O primeiro movimento nesta direção foi feito ontem, na reunião de líderes convocada por Garibaldi. Como o governo prefere manter a presidência com o PMDB, que é dono da maior bancada do Senado, o líder tucano Arthur Virgílio (AM), sugeriu o nome do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) para dirigir o inquérito. Furioso, o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), acusou Virgílio de se intrometer em assunto interno de seu partido, a quem cabe indicar o presidente. "Quando eu dou uma festa na minha casa, os convidados são meus", devolveu o tucano, dando a entender que Jarbas poderá ocupar uma das vagas do PSDB na CPI mista e disputar a presidência contra o candidato oficial do PMDB, senador Neuto de Conto (SC). Como o Planalto terá maioria folgada no plenário da CPI de deputados e senadores, a disputa serviria apenas para tentar mostrar à opinião pública que o governo não tem disposição de investigar. "Não aceitarão meu nome", prevê Jarbas. O Lula sabe que, no comando da CPI, eu não seria dócil ao governo nem seria joguete de ninguém", justifica.