BRASIL
Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010, 19h:59
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NO FIM
Amorim adota tom de despedida durante seu discurso na OIT
JAMIL CHADE
Da Agência Estado - Genebra, Suíça
O chanceler Celso Amorim deixou escapar que pode estar mesmo terminando seu mandato a frente do Itamaraty, depois de oito anos consecutivos no comando da diplomacia brasileira. Ontem, ao iniciar um discurso na Organização Internacional do trabalho (OIT), Amorim afirmou que sua participação no evento seria uma espécie de "despedida" de Genebra. "Pelo menos por enquanto", afirmou o chanceler, que já havia sido embaixador em Genebra antes de ser ministro. Mais tarde, questionado por uma jornalista estrangeira se ficaria no governo na gestão de Dilma Rousseff, Amorim apenas respondeu. "Eu não sei. Eu não posso fazer nenhum comentário a respeito disso. Eu não estou formando nenhum gabinete, somente o meu, que eu não estou formando, mas sim desfazendo", completou. Ontem, Amorim assinou um acordo com a OIT, abrindo espaço para que o Brasil coopere no setor humanitário. Mas seu discurso foi uma espécie de resumo dos oito anos de sua política externa. Pregando "tolerância" nas relações com outros governos, ele insistiu que o "mais difícil tem sido quebrar barreiras mentais" Para ele, esse tem sido um dos maiores obstáculos em fazer avançar a agenda das relações entre os países do Sul. "Quando o Mercosul foi criado, muitos perguntavam por que é que perdíamos tempo com a Argentina. Defendiam que teríamos de lidar com Estados Unidos e Europa e que apenas estávamos juntando as pobrezas de dois países. Hoje, ninguém questiona a importância do Mercosul. O mesmo ocorreu quando criamos a Unasul. Chegaram a me perguntar porque é que eu me preocupava tanto com a América do Sul. Ainda temos uma mentalidade colonial", afirmou. Para ele, a cooperação entre países em desenvolvimento tem sido um dos carros chefe da diplomacia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Isso porque não tínhamos preconceitos", disse. "Quando iniciamos nossas relações com os países árabes, eram verdadeiras placas tectônicas que se moveram", afirmou."Quando Lula começou a viajar pela África, as pessoas diziam que ele perdia seu tempo e que deveria ir para Washington, Bruxelas e Paris. Ele foi. Mas foi para a África também", insistiu Amorim, que indicou que o continente africano é hoje o quarto maior parceiro comercial do Brasil. Amorim garantiu que o País sempre quis ter uma "boa relação com o Norte". "Não estabelecemos cooperação com o Sul para confrontar o Norte", garantiu. Mas não deixou de criticar. "Doadores não só dão dinheiro. Dão ordens também. Precisamos acabar com essa ideia de doadores e recipientes. Somos parceiros", disse. O chanceler ainda lembrou que, oito anos depois do governo Lula, os Estados Unidos já não são os líderes na relação comercial com o Brasil. O maior destino hoje das exportações nacionais é a China, seguida pela Argentina.