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BRASIL
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008, 21h:15

BRASIL

Acordo com França consolida liderança regional do país

ROBERTO GODOY
Da Agência Estado - São Paulo
O acordo de cooperação e transferência de tecnologia militar que os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, vão assinar no fim do ano, em Brasília, "pode servir para consolidar a liderança do País como potência regional", acredita o cientista social Marcos Oliveira Osório, do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de San Andrés, em Buenos Aires. Para o analista, a negociação do amplo pacote "precisa ser feita com grande cuidado, sob pena de levar as Forças Armadas a um novo ciclo de dependência externa". Há dois dias, Sarkozy disse na Guiana Francesa que seu governo está disposto a abrir para o Brasil livre acesso ao conhecimento necessário à produção e desenvolvimento de caças supersônicos Rafale, de quinta geração, submarinos diesel-elétricos Scorpéne, e helicópteros Dauphin e Cougar, além dos diversos sistemas de armas destinados a esse equipamento. Na entrevista coletiva, o presidente francês afirmou que o acordo deve marcar "um novo tipo de relacionamento no setor dos assuntos de defesa". O analista Salvador Raza, diretor do Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança (CeTRIS), considera essa oportunidade "excelente para o Brasil explorar o desdobramento econômico e social da política de defesa". Raza, todavia, ressalta "a necessidade de assegurar que as opções bélicas sejam alinhadas com o projeto nacional de força, e que os contratos garantam efetivamente a potencialização tecnológica da capacidade industrial do País". EFEITO MULTIPLICADOR O acordo promoveria o isolamento do Brasil em relação ao núcleo de fornecedores internacionais? Para Salvador Raza, "o efeito será exatamente o contrário: um projeto desse tipo representa um poderoso fator atrativo para a inovação tecnológica em áreas correlatas, servindo como indutor de um moderno e sofisticado de defesa capaz de assegurar alto grau de autonomia estratégica e logística".

Edição EDIÇÃO 16959




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