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ARTIGO
Terça-feira, 30 de Junho de 2015, 20h:24

YURI RAMIRES

Teoria da reprodução

Religiosos lutam contra a discussão de diversidade sexual e de gênero nas escolas do país e o resultado disso são os inúmeros discursos de ódio nas redes sociais e agressões seguidas de morte em todo o território nacional. Se no processo de educar um pequeno futuro cidadão não requerer debates sobre as diferenças que ele encontrará, como esperar almejar o crescimento e desenvolvimento do país? Diferenças há em todos os lugares. Eu sou diferente de você, você é diferente de mim, e assim vamos. Poupar uma criança de saber que há diferença entre as pessoas, não é a solução. Visualmente, do exterior, ela reconhece isso: cor da pele, tipo de cabelo, timbre de voz e outros. Reconhecer que há uma diversidade de sentimentos, desejos, vontades, é como ter certeza que 2 + 2 são 4. Não saber disso, é colocar em dúvida uma conta fácil de matemática básica, que as crianças aprendem lá no começo da alfabetização. Mas o que vemos hoje é a desinformação tomando conta da educação. Só é levado para dentro das salas temas que são pertinentes, que geram pouco debate, entretanto, evitam a entrar em tabus para evitar conflitos ideológicos. Mas o problema não está só na educação dentro das escolas, em casa a coisa não é diferente. Pode até ser que haja uma discussão nas unidades de ensino, mas em casa, dependendo da família, o assunto é reprimido. Isso acontece não só nas questões sexuais, mas também com o aborto, drogas e outros tabus sociais. A criança exposta a esse tipo de educação cresce agindo diante da reprodução, como já explicada pelo sociólogo Pierre Bourdieu. De acordo com a obra “A Reprodução”, ele explica que o funcionamento do sistema escolar da França, seu país de origem, ao invés de transformar a sociedade, permitindo o desenvolvimento social, apenas ratifica e reproduz as desigualdades. Ou seja, do jeito que tá, pode piorar, sim. Enquanto o sistema educacional não preparar crianças e adolescentes para o mundo fora das escolas, a teoria da reprodução será aplicada por anos e anos, ou seja, vamos acabar vivendo em círculos. YURI RAMIRES é repórter

Edição EDIÇÃO 16964




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