NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 08 de Agosto de 2009, 12h:50

ANTÔNIO PADILHA DE CARVALHO

Super-proteção = amor prejudicial

A formação da personalidade da criança está totalmente ligada à doação de amor por parte dos pais, todavia, pais super-cuidadosos sufocam a independência dos filhos e impedem o seu crescimento emocional. Desde a mais tenra idade, a criança manifesta os seus instintos bons ou maus. Os pais devem estar atentos, vez que todos os males se originam do egoísmo e do orgulho, devendo ser combatidos desde logo, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que corta os rebentos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore. Caso os responsáveis pela educação dessas crianças deixarem que se desenvolvam o egoísmo e o orgulho, não se espantem de serem mais tarde pagos com a ingratidão. Quando os pais buscam fazer tudo o que deveriam pelo adiantamento moral de seus filhos, se não alcançarem êxito, não têm que se inculpar e podem ficar com a consciência tranqüila, posto que cumpriram com o seu papel. O que distingue o ser humano de todas as outras criaturas é a sua capacidade de relacionamentos. O Psicólogo Augusto César Maia, abordando esse tema, afirma: ”... uma criança gerada com amor tem muito mais condições de ser receptiva ao afeto e, depois que nasce, continuando a recebê-lo, tenderá a retribuir tudo que receber.” Pessoas que, pela educação recebida, tiveram uma noção positiva de si mesmas, por terem sido amadas, valorizadas, respeitadas, incentivadas e elogiadas desde crianças, são as que se relacionam melhor, pois são as mais altruístas e solidárias da sociedade. Não desenvolvem bloqueios com respeito a suas fraquezas. São pessoas bem-sucedidas e prósperas nos relacionamentos, porque não duvidam do próprio potencial, apesar das suas limitações. Sentem-se capazes e merecedoras de sucesso. Gostam de si mesmas e por isso se relacionam bem com familiares, companheiros de trabalho e pessoas em geral. Tudo vai bem com elas. São realizadoras, capazes de arquitetar e edificar objetivos, de construir sonhos, tornar nobres desejos em realidade, enfim, são pessoas que acreditam em si mesmas e se vinculam mais facilmente a outras pessoas.” A tarefa de ser bons pais não é tão difícil quanto possa parecer. Não exige o saber do mundo. Não é necessária titulação acadêmica. Quantos psicólogos, sociólogos, cientistas sociais, filósofos não sabem educar seus filhos? Podem desempenhar essa tarefa com esmero e êxito o ignorante como também o sábio, bastando apenas usar a quantidade certa de amor e ter consciência da responsabilidade com a humanidade. Quando, numa relação familiar, encontra-se pais super-cuidadosos que sufocam a independência dos filhos, tornando-os incapazes de reconhecer a individualidade deles, incapazes de admitir as fronteiras entre eles, pode-se notar que tal comportamento é uma recusa a permitir que os filhos desenvolvam seus próprios relacionamentos, movimentos, pensamentos e percepções. São palavras do psicólogo Augusto César Maia: “Se existimos na medida em que somos amados, também na medida que esse amor é distorcido deixamos de ser, de valer, de existir”. * ANTÔNIO PADILHA DE CARVALHO, advogado militante; pós graduado nas áreas do Direito do Estado; Educação e Filosofia; acadêmico de Geografia da UFMT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL