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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 08 de Agosto de 2009, 12h:50

MÁRIO M. DE ALMEIDA

Suinocultura mental

O leitor que por acaso me lê, conhece alguém de sua relação, próxima ou distante que tenha contraído a tal gripe suína? A pergunta surgiu em minha cabeça, na manhã deste sábado, enquanto escrevia o artigo deste domingo, e acudiu-me que também não conheço ninguém que tenha sido acometido pela referida gripe – e olha que conheço um bocado de gente. Pessoas resfriadas, espirrando ou tossindo, as encontrei sempre pela vida afora desde que me conheço. Inclusive eu, certamente o leitor, ocasionalmente possa ter sofrido, sofrer ou vir a sofrer desse mal estar, mais comum quando há uma virada no clima, passando abruptamente do calor para temperaturas mais baixas. Mas, gripe suína, pelo menos essa que a Imprensa tanto alardeia como se fosse uma das sete pragas, não me recordo de ter encontrado alguém portando-a. Não refuto a existência desse vírus com o mesmo fervor e ignorância com que muitos ainda nos dias de hoje, incrédulos e persistentes na teimosia, cabeças duras que são, negam a chegada do homem à lua... Muito menos, sou contrário às orientações e medidas profiláticas que as autoridades sanitárias recomendam à população. Não, não e não! Não é esse o meu ponto de chegada, ao traçar estas despretensiosas linhas, e o leitor, sagaz como é, já deve ter percebido. Toda ação preventiva, seja contra gripe ou qualquer outra enfermidade contagiosa, é sempre bem vinda e não seria eu, jamais, a ficar contra esse princípio. Questiono, isto sim, o tom alarmante, o visível exagero que a mídia em geral – talvez por falta de assuntos mais momentâneos e impactantes – vem dando a uma gripe chamada de suína e que, inicialmente, quando começou a ser divulgada, pelo estardalhaço como o assunto foi tratado, chegou a abalar o mercado de carne de porco. Começando a se instalar uma crise no setor, com as ameaças decorrentes de demissões de trabalhadores e falência de produtores. Fato que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a recomendar que a doença fosse chamada pelo seu nome mais apropriado e científico, H1N1. Até porque, conforme é do conhecimento público, não se contraí o vírus, sob nenhuma hipótese, ao se comer carne de porco, desde que preparada convenientemente. E qualquer dona de casa sabe desde o berço, carne de porco crua, se não for bem cozida, pode causar outros danos à saúde humana e, às vezes, bem mais graves do que uma gripe. O contágio se dá pelo espirro, tosse, pela secreção e perdigotos que saem das bocas e narinas dos humanos e, numa escala infinitamente menor, dos porcos. Nunca pelo consumo da carne desses animais. Ao dar tratamento noticioso exagerado à enfermidade, como se fosse o mal do século prestes a abater a raça humana, tenho para mim, que a imprensa como um todo, do mundo, do Brasil e daqui, com as raríssimas exceções de praxe, também foi acometida por uma espécie de suinocultura mental. Faltou o senso de equilíbrio, a noção exata da proporção e risco real trazido pelo vírus H1N1. Ou seja, faltou o famoso e popular “desconfiômetro” aos editores, repórteres, apresentadores e toda a enorme gama de profissionais incumbidos de cobrir o advento dessa moléstia, que, aliás, pode ter seus riscos de contágio consideravelmente diminuídos com uma alimentação saudável e que inclua frutas e vegetais. Até mais. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única www.paginaunica.com.br

Edição EDIÇÃO 16959




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