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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 17 de Março de 2009, 20h:36

SÔNIA FIORI

Que país é esse?!

Mais uma vez volto a bater na mesma tecla. A questão da saúde pública já foi tema de artigo anterior, mas devido à importância do tema, aqui estou novamente. A criação do Sistema Único da Saúde, sem dúvida alguma, promoveu melhorias significativas na rede pública. Contudo, ainda está muito além do mínimo necessário para acalentar a procura da sociedade. Pior ainda é quando nos chega a triste informação da suspensão do atendimento via SUS, como ocorreu no Hospital Geral Universitário – segundo a direção, por falta do repasse dos recursos. Sabe aquela máxima: “quem tem saúde tem toda a riqueza do mundo”, pois eh... é verdadeira. E quando a saúde está de uma forma ou outra abalada, necessitando de tratamento, a maioria da população recorre ao SUS. Simplesmente não há outro jeito. Na prática nós conhecemos bem o funcionamento da rede pública, que aos trancos e barrancos vai dando um jeito de atenuar a demanda crescente pelo atendimento. Mas ter que assistir parado a uma suspensão do atendimento, por falta de repasse de dinheiro, é caótico, é angustiante, é revoltante. Quem já precisou ou precisa dos serviços da saúde pública bem sabe, conhece esse cenário em que é preciso ter, no mínimo, muita paciência e fé em Deus – porque só Ele pode revigorar nossas esperanças... me assusta pensar nos pacientes que aguardam na fila do SUS para fazer um exame, um procedimento cirúrgico e, pior, os que precisam de uma UTI. O que não dá para entender, por mais que eu queira, é o porquê de tamanha dificuldade para construir hospitais, de ampliar o número de leitos, de UTI’s. Quanto dinheiro foi gasto em campanha eleitoral, queridos gestores públicos? Também é preciso lembrar que o Estado pagou, em 2008 cerca de R$ 750 milhões referentes à dívida junto a União – uma negociação, defendida hoje pela administração estadual, permitiria investimentos – quem sabe na saúde. E onde está o retorno pelo excessivo número de impostos que pagamos? E isso sem falar do Imposto de Renda. E assim caminha a humanidade... Sendo atropelada por sua própria incapacidade de reagir, de esboçar sua indignação, de cobrar de quem deve. E eu fico aqui me perguntando, quantos mais vão precisar morrer na fila do SUS para que nossos representantes façam algo por nós. Sinto que a resposta poderá não ser otimista, porque já estamos acostumados a assistir, de braços cruzados, nossos irmãos morrerem. Será assim padecer no paraíso? Acredito que sim. Padecemos num país repleto de oportunidades, onde vamos sobrevivendo a um monte de m. que nos obrigam a engolir diariamente – submissos a um poder maior que nos faz acreditar que somos incapazes de nos posicionarmos. Pense nisso... SÔNIA FIORI é jornalista

Edição EDIÇÃO 16964




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