NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 18 de Junho de 2011, 14h:24

ROMILDO GONÇALVES

Proibir resolve a questão!

Proibir queima queimada? Não vai resolver a questão! Sabe por quê? Porque a queima prescrita autorizada em mato grosso não significa 0,001% da queima vegetal total do estado. Resolve-se a questão fazendo o aceiramento preventivo em tempo hábil nas margens das vias públicas federais, estaduais e municipais no período de março a junho, responsável por 60% dos focos de incêndios no período da estiagem que vai de julho a outubro. Resolve-se a questão criando infraestrutura de apoio e logística com veículos adequado e material de combate apropriado. Resolve-se a questão capacitando recursos humanos brigadistas e brigadas em polos estratégicos do estado. Resolve-se a questão produzindo e distribuindo material educativo/informativo a população humana sobre o perigo do fogo. Resolve-se a questão, preparando equipes de educadores/multiplicadores ambientais para atuarem profissionalmente. Resolve-se a questão, educando e orientando a sociedade humana sobre as questões ambientais. Resolve-se a questão com fortalecimento da educação ambiental socializando informação correta ao homem do campo, aos produtores rurais... Ou seja, fazer prevenção e não fazendo repressão. Proibir por proibir não vai resolver literalmente nada. Todo ano é a mesma coisa chega o período da estiagem na Amazônia legal brasileira, lá vem o pandemônio ambiental sobre os produtores rurais praticados pelos órgãos governamentais. Quase meio século se passou e o processo continua o mesmo, nada se resolve. Uma vergonha não? É certo que a questão do fogo florestal é extremamente séria e complexa! Perigosa, porém pertinente, pois ninguém vive sem o fogo! Então se há erros é preciso corrigir, não? O que, implica em responsabilidade das autoridades constituídas! Proibir a queima prescrita hoje é penalizar alguém por algo que ele não fez, justificando a inoperância do estado frente à questão. A legislação ambiental lei n. 9.605/98; decreto federal n.2661/98 e portaria federal n.94/98, responsabilizada o poder público pelo manejo e normatização do fogo. No entanto hoje quem queima o estado é o próprio estado, que não cumpre a legislação. Estamos no final de junho, fizeram alguma coisa para prevenir o fogo em 2011? Seguramente novos desastres com fogo florestal virão por aí. Queira Deus que não! Por outro lado agir repressiva e esporadicamente como se faz hoje, com fiscalização aleatória e intempestiva multando e aterrorizando trabalhadores, certamente não resolverá a questão. Na prática essa aventura ambiental não surte nenhum efeito positivo. Segundo a própria Sema em 2008, foi aplicado um bilhão de reais em multas ambientais, pergunta-se qual o efeito pratico desse pandemônio? Para um estado que tem sua economia fundamentada na produção primária reprimir de maneira vã, irá resolver a questão? Com a palavra a Sema! O estado precisa estar mais atento em suas atitudes para evitar a continuidade de catástrofes ambientais, como as ocorridas em 2007, 2008,2009 e 2010, com repercussão extremamente negativa ambientalmente falando... Reconhecida pelo próprio poder público. Como oportunamente pontuada pelo meritíssimo juiz Julier Sebastião da Silva, “O estado vive um desastre ambiental nunca antes visto, sem que o poder público estadual ou federal tenha tomado qualquer providência para coibir, fiscalizar, punir ou minorar os efeitos dessa terrível calamidade pública”. Portanto ao focar a questão, chamamos novamente atenção das autoridades, para um fato extremamente perigoso, porém de fácil resolução, desde que o poder público cumpra com suas responsabilidades. *ROMILDO GONÇALVES é biólogo, mestre em Educação e Meio Ambiente, perito ambiental em Fogo Florestal e professor/pesquisador da UFMT/Seduc [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL