ARTIGO
Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013, 21h:57
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MARIO EUGENIO SATURNO
Preservação privada
Li com grande interesse uma notícia sobre recuperação da Mata Atlântica feita por uma empresa privada. Essa mata está localizada no entorno das hidrelétricas da Votorantim no rio Juquiá, sudoeste de São Paulo, pensava que tudo o que havia para ver lá era uma vegetação já degradada. Os cientistas da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP afirmam que é uma das áreas mais diversificadas de toda a mata atlântica. A área de 35 mil hectares, adquirida na década de 1950, estava fechada e tinha uma única função: proteger as nascentes na bacia do rio. Como é sabido por todos, sem as matas, os rios secam e, no caso, as represas não poderiam gerar energia elétrica para a fábrica da CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), que a Votorantim mantém na região de Sorocaba. Os cientistas coletaram 2.000 amostras de plantas, inclusive do palmito-juçara, espécie em perigo. Isso reforçou a vontade de conservar a área. E a empresa assinou, no ano passado, um protocolo de intenções junto ao governo do Estado em que se comprometia a tornar a área em uma unidade de conservação particular e que receberá o nome de Reserva Votorantim. A Mata Atlântica protegida pelo Estado sofre com a ação de palmiteiros e caçadores. Na reserva da Votorantim, eles têm uma dificuldade para entrar, pois esta tem vigilância que funciona. As estradas que dão acesso às usinas têm portões e câmeras e seguranças que fazem rondas no local periodicamente. A Votorantim está implementando monitoramento por satélite para as áreas mais remotas da reserva. Um fato deve ser ressaltado, cogitou-se doar o território ao Estado como já tinham feito com o Parque Jurupará, ao norte. Para sorte da reserva isso não foi feito, senão estaria abandonada. O presidente da Votorantim Energia afirmou na imprensa que o único modo de preservar o ambiente é com dinheiro. Cientistas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) acreditam que na reserva da Votorantim já vivam muriquis, espécie do maior primata das Américas e também ameaçada de extinção. Quando for confirmado será momento para comemorar. Sem dúvida é um exemplo a ser seguido pelas autoridades. Porém, palmiteiros e caçadores, gente armada e perigosa cometendo crimes contra a natureza, não são os únicos problemas de proteção da natureza. Os incêndios também destroem como o que aflige o Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, na região Metropolitana de São Paulo no início do mês de setembro. Para combater os focos de incêndio, foram mobilizados cinco viaturas do Corpo de Bombeiros, um helicóptero da Polícia Militar e um avião da Defesa Civil. Também outro incêndio ocorreu na mata da Serra da Itapetininga, em Atibaia. Enquanto São Paulo sofre derrotas na defesa da Mata Atlântica. O governo federal nada faz para evitar o desmatamento da Selva Amazônica. O INPE concluiu o mapeamento dos desmatamentos para o mês de agosto. O total das áreas desmatadas ou degradadas no mês foi de 289 km², que junto aos dados de julho (217 km²) e junho (210 km²) somam 716 km² no período. Será que os senadores e deputados não abraçariam a causa? *MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) cienciacuriosa.blog.com