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ARTIGO
Segunda-feira, 02 de Março de 2009, 20h:43

ONOFRE RIBEIRO

Preparo para o inevitável

Gostaria de amarrar este artigo em dois pontos: o artigo “2009, será que o agronegócio resiste?”, publicado no jornal “A Gazeta” de ontem, assinado pelo presidente da Federação da Agricultura e da Pecuária de Mato Grosso – Famato, Rui Prado, e uma nota divulgada pela Acrimat – Associação dos Criadores de Mato Grosso. Ambas são posições que sugerem cautela, mas trazem embutida a leitura de tempos difíceis. Não quero falar em crise, porque na realidade a crise é mais um estado de espírito que contamina em cadeia, do que algo insuperável. Até porque, é da natureza humana produzir crises e se alavancar a partir delas. Cito a seguir um lembrete do publicitário Luciano Marino, coordenador de marketing da Plaenge Empreendimentos, em Cuiabá: “É na crise que surgem as melhores oportunidades. Não por acaso, essa é a primeira e mais importante lição que devemos entender em um momento turbulento como esse. Em outras palavras, se existe crise, existe para todos - inclusive seu concorrente. As pessoas tendem a criar cenários pessimistas sem perceber que oportunidades para diferenciar-se escancaram-se à sua frente”. No seu artigo, o presidente da Famato afirma que dos R$ 13,2 bilhões que a agropecuária do estado precisa para produzir na safra 2009/2010, o crédito oficial participa com 9%. E pergunta: “de onde sairão os outros R$ 12 bilhões? Das tradings e do capital de giro é que não”. Outro ponto: “o capital de giro do produtor desapareceu ou foi transferido para os cofres das indústrias de fertilizantes”. Já a nota da Acrimat é mais sombria. Diz: “O anúncio na última sexta-feira (27) da suspensão total no abate de bovinos nas 14 plantas do frigorífico Independência surpreendeu todo setor pecuário, não só de Mato Grosso, como de todo país. “Foi uma desagradável surpresa. A situação tem se agravado nos últimos 90 dias”, diz o presidente da Acrimat, Mário Candia. O mercado internacional está comprando com um prazo maior, que chega a 70 dias, e os frigoríficos não têm crédito para suportar essas condições”. Para ele, o governo federal tem que se posicionar nesse momento delicado e “liberar uma linha de crédito para a recuperação dos frigoríficos evitando assim, só em Mato Grosso, a demissão de 15 mil pessoas. Enquanto isso o produtor tem que ter muita cautela, pois a única forma segura é vender o boi com pagamento à vista. É melhor deixar o boi no pasto do que correr o risco de não receber, pois não temos nenhuma segurança”. Em 2008, oito plantas frigoríficas foram fechadas em Mato Grosso e esse número aumentou para 14, no dia 27 de fevereiro, com a suspensão no abate nas cinco unidades em operação do frigorífico Independência no estado, situadas em Colider, Juína, Nova Xavantina, Confresa e Pontes e Lacerda, com capacidade de abate de mais de quatro mil cabeças por dia. No total, as 14 plantas fechadas, têm capacidade de abater mais de 11 mil animais por dia. É tempo de se refletir sobre tudo isso em busca de enxergar as opções. No seu devido tempo se enxergará o túnel de saída. Até lá... * ONOFRE RIBEIRO é articulista do Diário de Cuiabá e da Revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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