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ARTIGO
Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011, 19h:52

ADILSON ROSA

Pendura a conta

Uma decisão recente da Justiça em obrigar hospitais particulares a receber pacientes do pronto-socorro de Várzea Grande expõe cada vez mais o momento grave que passa o setor de saúde, não só na Grande Cuiabá, como no país todo. Os hospitais particulares da Capital já avisaram que não possuem condições de atender a determinação. Além de serem construídos para uma clientela menor – afinal saúde particular é cara em qualquer país do mundo – não tem leitos nem UTIs em quantidade suficiente. O agravante é que a conta nos hospitais particulares – no sentido próprio – deveria ser paga pelo Poder Público que acaba rolando com a barriga e, em muitos casos, instituindo o calote. Sem dinheiro, os hospitais correm o risco de fechar as portas. O dono de um hospital particular acenou que poderia disponibilizar até 100 leitos, mas sem previsão de pagamento, recuou na oferta. Todo mundo bate na mesma tecla. Para onde vão os bilhões que chegam ao Ministério da Saúde? Todo mundo quer saber, pois o resultado final é o pior possível. Parece aquela pessoa que gasta com supérfluo e fica reclamando que não tem dinheiro para comprar o básico. Hospitais particulares sugeriram ao governo fazer uma reserva para essas emergências, pagando adiantado o setor privado da saúde, no momento da internação. Parece que não foi aceito por absoluta falta de dinheiro. Piada pronta! A saúde é um dos setores em que o setor público tenta avançar no setor privado. Daqui a pouco, a Justiça vai determinar que as escolas particulares abram vagas para alunos da rede pública e põe na conta do Governo. Mais um passo e os vigias das empresas de seguranças serão obrigados a prestar serviço de segurança, uma obrigação do Poder Público. Se existem serviços particulares é porque o Estado não atende em quantidade e tampouco em qualidade. Daí, o surgimento de empresas privadas em todos os setores no qual o Poder Público falha. Em outras palavras, em quase todos – menos no sistema prisional, e por enquanto. Mas como a Justiça entende que a sociedade tem que ter acesso a todos os serviços a conta é enviada ao Estado, que não nega a dívida mas avisa que pagará quando puder. ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16959




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