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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 29 de Março de 2008, 15h:08

JOSÉ CARLOS DIAS

Passando a limpo

O setor madeireiro do Estado já pode reivindicar, a partir de agora, um tratamento mais respeitoso, não podendo ser apontado, sempre, como o vilão do desmatamento. Esta foi, em síntese, a mensagem que Governo levou à Assembléia Legislativa, quarta-feira passada. Blairo Maggi, munido de levantamento que comprova o erro de 90% nas interpretações dos dados das aferições do satélite do INPE, em pouco mais de 30 minutos mostrou que Mato Grosso está pronto para defender-se, firmemente, de injustiças, cumprindo seu papel político. O erro que colocava Mato Grosso como responsável pelo maior índice de desmatamento da Amazônia agora deve ser corrigido política e administrativamente. Com a primeira tarefa o governador já se comprometeu, conclamando os parlamentares a caminhar juntos. A segunda os madeireiros poderão assumir, subsidiados pelo amplo levantamento feito pela Sema. A não aceitação dos dados mostrou em primeiro lugar que o Estado está atento ao que ocorre em solo mato-grossense. A presença do governador na Assembléia Legislativa mostrou que os madeireiros podem ter o governo como aliado, mas desde que cumpram também com suas obrigações. Revelou que o Mato Grosso que emerge dos dias de hoje é um Estado assentado na correção de uma conduta ambientalmente correta. O próprio governador fez questão de frisar que nenhuma outra unidade da Federação desenvolve suas atividades econômicas com tanto zelo ambiental quanto Mato Grosso, que possui uma legislação avançada e a coloca em prática. Mais do que uma demonstração de confiança no trabalho que se desenvolve aqui, todos nós mato-grossenses, na figura do nosso governador, também deixaram claro que não é mais possível aceitar ingerências ou extrapolações. Se os dados interpretados pelo INPE não representam a realidade, também não representam realidade os dados apurados pela fiscalização da chamada Operação Arco de Fogo, realizada em bases diversas das que norteiam o trabalho em Mato Grosso. Não passou em branco que a fiscalização federal extrapolou limites de civilidade aceitáveis no tratamento a trabalhadores que, com honestidade procuram construir o Estado. Foi uma demonstração exagerada de poder de fogo, como se as forças policiais estivessem enfrentando bandidos fortemente armados. Em meio ao acirramento de ânimos gerado pela indignação, o governador Blairo Maggi agiu corretamente ao assumir o papel de pacificador. Isto porque fez o que tinha que fazer: colocou a Sema para realizar uma perícia in loco nos dados do INPE e deu um exemplo de qual deve ser a postura correta. Com dados na mão, os mato-grossenses agora podem exigir o desagravo simbólico e mostrar que este é um Estado em que o trabalho árduo é o legítimo gerador de riqueza e bem-estar social. E é assim que deve ser. * JOSÉ CARLOS DIAS é jornalista e secretário de Estado de Comunicação Social

Edição EDIÇÃO 16966




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