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ARTIGO
Sexta-feira, 16 de Março de 2012, 21h:33

EVALDO DUARTE DE BARROS

Parabéns, dr. Ulysses

A legislação “expulsa” do serviço público os funcionários que completam 70 anos. A essa “expulsão” dá-se o nome de aposentadoria compulsória. Por favor, não confundam com essas aposentadorias ordenadas pelo Judiciário como pena. Longe destas linhas esses afastamentos por outros motivos que não seja o da idade-limite. O doutor Ulysses Ribeiro está completando 70 anos neste dia 17 de março e já se aposentara, por tempo de serviço, antes do advento da idade-termo. Contabilista de escola, funcionário exemplar, promotor de justiça de rara competência, procurador de Justiça autor de pareceres condutores de decisões, professor elogiado dos ensinos médio e superior, procurador-geral de Justiça, corregedor-geral do Ministério Público, Ulysses Ribeiro nasceu em Cuiabá e tem coração cuiabano – como ele sempre gostou de dizer -. Veio para Cuiabá e se casou com a dra. Yolanda de Oliveira Ribeiro, irmã mais velha do saudoso governador Dante de Oliveira. Convivo com o dr. Ulysses há alguns anos: cinco de faculdade, quarenta e cinco anos de formados na turma de 1.967 da Faculdade de Direito e mais de 30 anos no Ministério Público de Mato Grosso. Nunca brigamos e nem alteramos a voz um para o outro. Ele era o procurador-geral e eu, o corregedor-geral. Nunca recebi um pedido sequer para ser mais ou menos exigente. E nunca pedi a ele para ser mais ou menos severo na decisão final. Um dos fundadores da Associação Mato-grossense do Ministério Público, e seu presidente duas vezes, em sua primeira gestão, quando eu era o seu vice-presidente, disse-lhe: Ulysses, vamos criar um jornal do Ministério Público? E ele, rápido no gatilho, me respondeu: “se você se encarregar dele, pode fazer”. Assim, nasceu Tribuna Livre, órgão oficial da Associação Mato-grossense do Ministério Público e a história está no editorial do primeiro número. A Tribuna Livre fez muito sucesso e durante muitos anos contou a história do Ministério Público de Mato Grosso sendo, inclusive, homenageada com um espaço na sede da Associação. Nossa intenção, porém, não é falar de Tribuna Livre, nossa querida e imortal criação. Hoje reservo-me o direito de falar do dr. Ulysses. Nunca ouvi de sua boca a expressão “sou cunhado de Dante” e sempre ouvi do saudoso governador: ”Ulysses é meu cunhado”. Lembro-me ainda do episódio em que o governador Carlos Bezerra, que sempre combateu a ditadura, mas sempre gostou de ser ditador, exonerou o dr. Ulysses do cargo de procurador-geral de Justiça. E o fez truculentamente, já que colocara no ato a expressão a pedido. Só que o dr. Ulysses nunca pediu exoneração. E o Bezerra, apesar de sua reconhecida arrogância, tornou sem efeito a sua atitude de déspota esclarecido e sem-limites. A Associação ficou em vigília cívica durante toda a noite, com luzes e velas acesas até que a exoneração fosse desfeita. A Confederação Nacional do Ministério Público se manifestou energicamente e o dr. Ulysses, em nenhum momento, perdeu a sua postura e compostura de homem íntegro e corajoso. Depois de reconduzido ao cargo, o dr. Ulysses não mais compareceu às reuniões do secretariado do então governador. Velhos tempos de um Ministério Público pequeno, mas unido e consequente em suas atividades e decisões. Daqui a pouco também vou completar 70 anos e espero fazê-lo com a mesma paz de consciência com que o meu amigo fraterno Ulysses rompe essa idade. Que Deus continue iluminando-o hoje, amanhã e sempre! *EVALDO DE BARROS é procurador de Justiça aposentado

Edição EDIÇÃO 16959




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