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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 04 de Dezembro de 2006, 20h:22

GONÇALO A. DE BARROS NETO

Os extremos

Realmente, o sabiá de Gonçalves Dias sempre cantará mais bonito por cá. É impressionante o “modus vivendi” do brasileiro, para melhor, claro, comparado com países europeus e asiáticos. No Brasil tudo parece ser menos traumático, ainda que se trate de assuntos dos mais nauseantes. Vejam só. Em Pequim, a política do cachorro único chegou ao extremo com cães sendo mortos a pauladas por agentes do Estado em plena avenida movimentada da cidade e, por vezes, aos olhos dos donos. A revista Veja desta semana traz matéria sobre isso que é de arrepiar. Os animais de estimação já foram vítimas no passado quando da revolução cultural, visto serem considerados símbolos da burguesia. E o “animalocausto” continua, com a matança indiscriminada sob o argumento de controle da raiva. Os maníacos com propensão a controlar tudo, incrustados também no Estado brasileiro, vêm exercendo com mão de ferro seu psicodrama particular. Tentam controlar a tudo – cinto de segurança, capacetes de motocicletas, kit de primeiros socorros, armas de fogo, RG, aliás, hoje não se conversa sobre fulano de tal, e sim no CPF tal. A liberdade das pessoas vem sofrendo ataques constantes, e o Estado cada vez mais substituindo-as em suas vontades. A matança dos animais de estimação na China, país da política de um filho só, para controlar determinada doença, é o mesmo que matar o homem para exterminar a paralisia infantil, febre amarela, câncer etc. Contra a raiva, “até humana”, temos vacinas, ora bolas. O filósofo canadense L. W. Sumner afirmou que a retórica dos direitos humanos está fora de todo controle. Com ele não me filio. Na verdade, a falta de controle está no aparelhamento do Estado por pessoas inescrupulosas que nos transformam em reféns dos pseudo-planos de salvação nacional, de redenção econômica etc. Em “A Era dos Extremos”, Eric Hobsbawm termina escrevendo: “Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar”. Temos que mudar. A valorização do homem enquanto centro irradiador de tudo deve ser o objetivo comum, com o afastamento de políticas que engessam a liberdade, o pensamento, enfim, a felicidade. De qualquer forma, mesmo com os lunáticos da hora, o Brasil ainda é o melhor país para se viver. Não é mesmo? * GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é juiz em Mato Grosso e escreve as terças no Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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