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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 01 de Setembro de 2012, 14h:02

CESAR VANUCCI

Operações clandestinas rendosas

O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro é estimado, hoje, em R$ 4.2 trilhões. Isso nos assegura o sexto lugar entre as mais pujantes economias do mundo. Informações liberadas pela organização “Tax Justice Network”, com base em estudo encomendado a consultores especializados em levantamentos sobre aplicações de recursos privados nos negócios internacionais, dão conta de que algo equivalente a quase 30% da riqueza nacional (estimada pelo Banco Central) acha-se depositado, neste preciso instante, por patrícios nossos bem abonados financeiramente, nos chamados “paraísos fiscais”. A apuração desses números, reunidos no trabalho intitulado “The Price of offshore Revisited”, resulta de um meticuloso mapeamento dos volumosos recursos, procedentes de dezenas de países, lançados de forma clandestina – já que não declarados aos órgãos da fiscalização – em contas secretas em lugares onde viceja, estimulado por espúrias conveniências políticas e financeiras, esse processo fraudulento de ocultação de bens. Lugares como Suíça, Ilhas Cayman e outros mais, onde negócios escabrosos são movimentados à pamparra, em meio a reações hipócritas das instituições bancárias envolvidas e debaixo da indiferença conivente dos “donos do mundo”. Para se chegar ao cálculo que confere ao Brasil “honroso” quarto lugar no mundo inteiro em matéria de evasão de dinheiro – um dinheiro, obviamente, de origem suspeitosíssima -, os responsáveis pela pesquisa se louvaram em elementos fornecidos pelo Banco de Compensações Internacionais, FMI (Fundo Monetário Internacional), Banco Mundial, além de organismos governamentais dos países prejudicados. O montante correspondente aos ricaços brasileiros é de 1 trilhão e 5 milhões de reais (em dólares 520 bilhões). Ficamos na relação atrás apenas dos milionários chineses (2 trilhões e 200 bilhões de reais), russos e coreanos (1 trilhão, 596 bilhões). Os números referentes a essas fortunas não oficialmente admitidas, considerado um universo de 139 países com 10 milhões de “investidores”, chegam à espantosa soma, no total, de 42 trilhões de reais. Mas isso, advertem os pesquisadores, num cálculo bastante conservador. Não será exagero estimar – acrescentam eles - que o montante possa elevar-se a 64 trilhões de reais. Valor correspondente, mais ou menos, a 15 vezes o PIB brasileiro. Classificando essa riqueza privada não contabilizada de “enorme buraco negro na economia mundial”, os autores do estudo calculam ainda que essas ações de ludibrio fiscal levam a uma sonegação de impostos, nos países prejudicados, da ordem de 380 a 560 bilhões de reais. No caso especifico de nosso país, os depósitos clandestinos de ilustres patrícios no exterior equivalem a quase 20 vezes o dinheiro destinado orçamentariamente ao programa “Brasil sem miséria” no exercício de 2012. Equivale também a mais da metade das aplicações previstas para o PAC2 (Programa de Aceleração do Crescimento) em todo o quatriênio governamental. Nessa rendosa operação que suga, de forma desalmada, parte substanciosa dos recursos nacionais, em tantos lugares, traficantes, bandidos do “colarinho branco”, malversadores do dinheiro público, milionários despojados de sensibilidade e responsabilidade sociais encontram prestimosa colaboração da poderosa engrenagem bancária, que oferece mundos e fundos em suas frenéticas disputas pela captação da dinheirama mal adquirida. * CESAR VANUCCI é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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