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ARTIGO
Segunda-feira, 11 de Novembro de 2013, 20h:28

GIBRAN LUIS LACHOWSKI

O VLT de seo Jean

As imagens dos primeiros vagões do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá lembram-me imediatamente do técnico em eletricidade, eletrônica, mecânica e desenho industrial, Jean Marie Van Den Haute. O belga, que aportou na cidade nos anos 90, defendia a implantação do modal de forma incisiva, com argumentos consistentes, em entrevistas na mídia e participação em fóruns pertinentes para discussão e deliberação acerca do sistema de transporte de Cuiabá e Várzea Grande. Bem antes da escolha da capital mato-grossense para ser subsede da Copa do Mundo, “seo Jean”, como era chamado, já apontava as vantagens do metrô de superfície em relação ao caótico, incômodo e ineficiente transporte coletivo tradicional. Entre elas: tempo de espera duas vezes e meia menor, velocidade 100% maior, cerca de 60% a menos de poluição atmosférica e de diminuição de acidentes. É bom lembrar agora de “seo Jean” porque ele deveria fazer parte do desfile dos primeiros vagões do VLT e colher os mesmos louros tão almejados pelo governo do Estado, que se esforça para manter credibilidade junto à população e garantir Silval Barbosa como bom nome ao Senado em 2014. Mas o belga não pode fazer isso, pois faleceu em outubro de 2011, de encefalopatia hipertensiva. A ideia de “seo Jean”, tida por vezes como inalcançável, já se aplicava a uma realidade em que o sistema de transporte era baseado em frota de ônibus caindo aos pedaços, população insatisfeita com o serviço, tarifa alta e forte suspeita de cartel, depois confirmada pelo Ministério Público. Portanto, ele não se assustaria com as dificuldades do governo Silval em implantar o VLT na Grande Cuiabá. Também não se espantaria com a verdadeira máquina de propaganda montada para denegrir todos os passos corretos na condução desse processo. Acostumado a lidar com o ceticismo, as malandragens e a incompetência administrativa de vários agentes públicos e privados, ele procurava extrair somente elementos positivos e possíveis aliados numa luta quase particular em prol da efetivação do VLT como “sonho possível”. Afinal, sabia o belga que é o transporte, sobretudo o coletivo, que leva as pessoas aos locais de trabalho, às escolas e universidades, aos cursos de qualificação e ambientes de lazer e cultura, correspondendo a um dos principais itens na elaboração do Produto Interno Bruto (PIB) de uma cidade, Estado ou país. *GIBRAN LUIS LACHOWSKI, 35 anos, jornalista e professor universitário em Mato Grosso

Edição EDIÇÃO 16965




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