ARTIGO
Segunda-feira, 02 de Junho de 2008, 21h:28
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BRUNO PERON LOUREIRO
O turismo que integra
O turismo permite a difusão das diversidades e traz ingressos para um país, no entanto não tem sido conduzido com os investimentos apropriados em infra-estrutura e publicidade no Brasil. É arriscado, inclusive, depender apenas de eixos tradicionais de turismo, como as praias cariocas e nordestinas, uma vez que concentram as visitas de nacionais e estrangeiros a poucos lugares, alguns dos que têm fontes de renda bem diversificadas, e dificulta o desenvolvimento de outras regiões mais remotas do país, que recebem pouco investimento neste setor e escondem as suas riquezas naturais e culturais. Seguimos com o pressuposto de que não seria bom que o Brasil dependesse do turismo estrangeiro como uma das principais fontes de renda para não sujeitar-se às oscilações internacionais do mercado (se o Real se valoriza em relação ao dólar, os turistas poderão preferir outros países com moeda diferente, aonde seja mais barato viajar) e, por isso, auferiria menos rendimentos e prejudicaria a economia; além disso, a propaganda turística deve ser diversificada para que o país obtenha recursos deste setor também em cidades e regiões menos conhecidas que tenham potencial e pouco desenvolvimento de outros setores produtivos. Rio de Janeiro e São Paulo são duas das principais cidades brasileiras que acolhem turistas estrangeiros, o que se deve à reputação internacional e às rotas aeroviárias, uma minoria dos quais chega a conhecer os lençóis maranhenses, a selva amazônica, o pantanal, a chapada diamantina, as cachoeiras mineiras, a serra gaúcha, ou as cataratas do Iguaçu. É desalentador que muitos de nós brasileiros sequer conhecemos metade destas belezas naturais porque há travas ao turismo dentro do próprio país, como a falta de aeroportos, rodovias e hotéis em várias regiões, que dificultam ou encarecem o acesso, e, por isso, acabamos por preferir viagens a destinos mais próximos ou mais conhecidos. A imagem que temos de um destino determina se vale a pena visitá-lo ou não e em que momento. Comento que, do contato que tive com estrangeiros, a idéia que compartilham do Brasil antes de visitá-lo é das mais deprimentes ou restringidas, uma vez que carregam o estereótipo de alguns lugares, situações e traços culturais de Rio de Janeiro, violência, samba e bom jogador de futebol do pouco que viram na televisão ou escutaram de outros meios. Conheci algumas pessoas que sonhavam em conhecer o Brasil e uma delas me disse que esperava encontrar um país caótico, mas que surpreendeu-se por ser organizado quando chegou ao aeroporto. Não me agrada o fato de o Brasil se resumir a estes elementos culturais no turismo internacional. É urgente a formulação de uma política que descentralize o turismo no Brasil, ou seja, dê atenção a regiões mais remotas e menos conhecidas considerando o enorme potencial que possuem em recursos humanos e naturais, invista em infra-estrutura para que haja maiores atrativos, comunicação e transporte para acomodar e entreter os turistas, e, acima de tudo, diversifique e reforce a propaganda turística, dentro e fora do país, com o fim de alterarmos a imagem estereotipada do Brasil e do brasileiro e levar fontes de renda a outras regiões sem menoscabar outros setores da economia ou, pior, depender quase que exclusivamente do turismo como fonte de ingresso em algumas regiões simplesmente porque o Brasil ainda não alcançou a estabilidade econômica e política desejada a ponto de não ser arriscado depender somente de um setor. Não nos esqueçamos, contudo, que o turismo é apenas uma das nossas potencialidades. * BRUNO PERON LOUREIRO é bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista - Unesp