Sobre os últimos artigos abordando uma crise mundial, não posso ignorar os e-mails que recebo trazendo um retorno objetivo dos leitores às reflexões lançadas. Hoje gostaria de reproduzir dois e-mails importantes recebidos sobre o último artigo Crise, que crise?. O primeiro é do diretor da Plaenge Empreendimentos em Londrina, Evaldo Fabian: Apesar de todas as consequências ruins que muitos estão passando e ainda vão passar, a meu ver, esta crise foi oportuna para o Brasil. Recolocou a locomotiva nos trilhos do crescimento sustentável. A bolha estourou na hora certa. Nós vínhamos numa euforia muito grande, com dinheiro fácil (crédito), levando os preços a subir exageradamente. Veja os casos do cimento e aço, que subiram mais de 50% em menos de um ano. A desculpa era que o mercado internacional das "commodities" estava aquecido e, por isso, os preços internos foram para as alturas. Era a época da "fartura". "Fartava" tudo. A maioria dos materiais, com prazos usuais de até 30 dias, passaram para 60, 90 e até 120 dias para entrega. A mão-de-obra sumiu e os preços dos serviços aumentaram exageradamente. Nós, inclusive, montamos uma escola em meados do ano passado, a Escola Plaenge de Construção para formação de mão-de-obra. Já formamos duas turmas de profissionais, uma de pedreiros e uma de azulejistas e assentadores de porcelanato. Outras estão em andamento. Agora, o mercado da construção civil está mais maduro, cauteloso até. Os bancos, por sua vez, passaram a ser mais seletivos na escolha dos projetos e das empresas a financiar. O funil estreitou. Por outro lado, acabou a euforia de comprar sem saber o que vai receber. Os clientes também estão mais exigentes, indo a fundo nos detalhes. Quem não tem bons projetos ou não está capitalizado, não vende mais. Ou seja, fecharam-se as portas para os aventureiros e/ou inexperientes. Concluindo, eu acredito que há muitas oportunidades e nossa empresa está preparada para aproveitá-las, mantendo sempre os pés no chão firme, sem perder o Norte. Do professor José Ribeiro da Silva, da ITDE Consultoria e Treinamento, de Cuiabá: Estou em Nova Mutum concluindo em Curso de Gestão de Crédito para revendas de produtos agrícolas e acabei de ler seu artigo. Se o governador comentou que dos 5 bilhões de dólares previstos, só precisaremos de 2 bilhões para financiar a próxima safra, de onde o presidente da Famato tirou os tais 12 bilhões que você comentou em artigo no início da semana? Ou seja, o dirigente classista está fazendo tempestade. A propósito, na crise aparecem as oportunidades. Eu nunca tinha trabalhado junto aos setores ligados ao agronegócio, mas no final de 2008 as associações de revendas de produtos agrícolas solicitaram a formatação de um curso de Gestão de Crédito e Cobrança, para que o setor pudesse enfrentar a nova realidade. Crédito escasso na praça, as revendas se transformaram nos grandes financiadores dos produtores rurais. Essas empresas sempre tiveram um política de vendas agressiva, mas não tinham necessariamente uma política de crédito consistente. Resultado: fechamos um pacote para treinar todas as revendas de Mato Grosso e, de quebra, aproveitamos para levar o trabalho para MS e Goiás. Com isso nossa programação de treinamento para 2009 está fechada até dezembro. Crise??? que crise, onde ela está???. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da Revista RDM
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