Tudo aquilo que existe hoje e que virá a existir um dia nos chegou através do vento. E sem dúvida, o maior agente desta propagação é a palavra. A palavra é quem trás tudo para a gente. Não é a toa que as diversas escolas de auto-estima embasadas em diferentes filosofias e/ou ciências recomendam o cuidado com a palavra. O Segredo, best-seller americano em livro e DVD, fala da força do pensamento. E quem além do vento carrega o pensamento? Trás até nós e leva os nossos para outrem. Recentemente escrevi um artigo em caráter de desabafo. Uma frustração com a minha própria incapacidade de perceber o detalhe. Apesar da franqueza creio que fui mal compreendido e acabei prejudicando um projeto que tinha tudo para gerar frutos positivos para as pessoas mais próximas de mim, bem como, para mato-grossenses que seriam atingidos pela ação. Nós nunca sabemos quem está do outro lado da linha. O que esta pessoa vai pensar ao ler o nosso texto? Como vai receber esta informação que os seus olhos lançam ao pensamento antes de ser varrida pelo vento? É impossível dizer. Nem por isso acredito que devemos deixar de dizer aquilo que pensamos, ou melhor, sentimos. Saber receber uma crítica é o mínimo que se espera das pessoas que desfrutam do poder há tanto tempo. É difícil imaginar que estas agirão sem pensar, sob efeito da raiva ou pior da vaidade... Apesar disso não podemos nos furtar a ser responsáveis pelas nossas palavras, quanto vale a palavra? No meu caso muito mais do que eu posso recompensar aos meus companheiros. Você pode pensar que há diferença entre a palavra escrita e a falada, mas dentro do universo o próprio pensamento tem eco. O que falamos, escrevemos ou pensamos retorna para gente como as nossas ações positivas e negativas. Às vezes é sujeito falarmos sob a influência desta força ambulante chamada raiva, para tanto recomendo o silêncio. Esta força é ambulante e não admite que a prendam, como ela chega vai, basta fechar a boca. Estive pensando naqueles que falam dormindo, não apenas os sonâmbulos que provavelmente impulsionam o ar com seus pensamentos dormentes, mas também naqueles que dormem acordados sem saber o peso colossal das próprias palavras na sua vida e na vida daqueles que o circundam; pais, filhos, amigos, companheiros... Acorde, pare e pense antes de falar! Eu venho procurando fazer o mesmo. CLAUDIO DE OLIVEIRA é publicitário, jornalista e mestrando em Estudos Culturais no ECCO/UFMT