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ARTIGO
Sexta-feira, 07 de Maio de 2010, 20h:59

ILSON SANCHES

O retorno da fraqueza

O que me indigna na política é a ausência da consistência dos conteúdos expressos, sobretudo pelo pensamento, ou suposto pensamento, daqueles que se aventuram candidatar a cargos eletivos. Ou seja, que se candidatam a conduzir os destinos de um povo, que há muitos anos busca consolidar uma identidade no contexto das nações, principalmente das culturalmente avançadas. Retomando a ácida crítica que lancei sobre um artigo de uma das candidatas, na Revista Veja, (comparem), ela existiu por eu não ter conseguido encontrar, nem consistência científica, nem lógica plausível em seu pensamento. Não há tratar das questões públicas com leviandade ou jogando as palavras para tentar, de alguma maneira, conseguir convencer ou mesmo mudar a convicção dos eleitores. Um candidato, ou mesmo quem se propõe, seriamente a conduzir os destinos de um Estado, deve antes de tudo, ter um plano consistente com a realidade. E, até mesmo ter a competência de interpretar não só a realidade atual, mas principalmente, respeitar e considerar o passado de um povo para que sua proposta seja condizente com o que se propõe para o futuro. E não simplesmente embarcar em bordões que supostamente deram certo, mesmo que de forma temporária ou instantânea ou mesmo eleitoreira, como é o caso que se observa. Não encontrei elementos consistentes para esta avaliação no artigo publicado. E o que em média, pelas declarações anteriores, se tem observado é uma verdadeira cópia do que tem sido dito e emitido pelo atual Presidente. E isto, na tentativa de aproveitar a popularidade de suas abordagens. A meu ver tais fatos não coadunam com a seriedade requerida por quem se candidata a tão importante função. A falta de originalidade e de novos elementos foi um lugar comum constatado no artigo referido. E os pensamentos ali destilados, de fato, não contribuem, para a necessária e requerida evolução de um país. Nem mesmo, percebemos este direcionamento. E, para o país, já desejamos uma velocidade maior do que a lentidão que hora observamos, sobretudo quando se faz uma comparação com as políticas públicas adotadas para superação da crise em outros países, incluindo a desigualdade na distribuição de rendas e de investimentos. Nós, brasileiros, há muito estamos convivendo com problemas em que se observa constantemente a busca de um culpado. E que, em verdade não vislumbramos os mecanismos eficientes e definitivos para superá-los, sobretudo no meio dos que nos foram até hoje apresentados. Não é justificativa, afirmar que o que passamos é fruto do natural ou do fato que a sociedade, tem ou deve passar por estas crises. Temos crise em quase todos os setores da vida social e econômica brasileira. E as soluções, atualmente apresentadas estão no contexto da provisoriedade, muito menos do que na definitividade, haja vista no ensino, na saúde, na segurança, e no meio urbano, incluindo os transportes coletivos nas cidades médias e grandes, dentre outros. Atribuo a esta incapacidade o viés do ideário político que estamos atualmente contemplando, e que nos desviam do rumo adequado. Os maus exemplos, que nem vou citá-los aqui são inúmeros e identificados, até por nomes dos que hora participam do poder. Estamos e não queremos continuar submetidos a esse viés, que, na verdade nos distancia de um real e verdadeiro desenvolvimento sócio-político-cultural. O que estamos vivendo e vendo é uma ampla superficialidade de propostas, que de fato foi sentido em todo o artigo da candidata. Aliás, que não apresentou nenhuma proposta e sim uma miríade de palavras em que é difícil senão impossível, considerá-la metodologicamente correta e consistente com uma lógica requerida. Para que se rebata qualquer crítica, deve-se afastar das paixões e ler com racionalidade não só o artigo como as críticas lançadas sobre ele ou mesmo sobre as avaliações feitas por mim. E, digam-se de passagem, não me propus a fazer nenhum estudo cientifico do artigo, pois ele não merece. E sim, observei parágrafo por parágrafo do que foi destilado. E, como brasileiro, senti-me desrespeitado, mais uma vez como o que ali foi escrito, e, sobretudo como uma proposta de um pensamento para o povo brasileiro! * ILSON SANCHES, advogado e professor universitário www.ilsonsanches.com [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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