ARTIGO
Terça-feira, 03 de Junho de 2014, 20h:28
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JULIER SEBASTIÃO DA SILVA
O legado da Copa
Faltam apenas nove dias para o início da Copa do Mundo de 2014, que começa em 16 de junho com o jogo entre Brasil e Croácia em São Paulo. Durante os 28 dias que se seguirão até a final no novo Maracanã, os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil. Serão milhares de turistas de todas as nacionalidades, muitos visitando o Brasil pela primeira vez para realizar o sonho de assistir à Copa do Mundo no País do futebol. Para pessoas da minha idade, que nasceram e cresceram em outro Mato Grosso, em outro Brasil, ver uma Copa do Mundo sediada aqui em Cuiabá é a realização de um sonho impossível da infância. São décadas que parecem séculos, separando o Brasil subdesenvolvido e atrasado de outrora do País que somos hoje, pronto para avançar cada vez mais aliando desenvolvimento econômico e social. É verdade que a imensa empreitada que representa um evento da magnitude da Copa do Mundo em um país com a extensão territorial e as peculiaridades do Brasil não trouxe apenas benefícios. Preparar a recepção de tamanha onda humana em um país ainda em processo de amadurecimento político, econômico e social é um desafio maior do que o previsto pelo mais precavido dos nossos gestores públicos. Muitas obras atrasaram, algumas delas não ficarão prontas a tempo para o evento e isso é decepcionante para todos nós que vibramos com o anúncio da Copa no Brasil. As obras em Cuiabá, que foram realizadas simultaneamente numa tentativa desesperada de se adequar aos prazos da Fifa, produziram grande transtorno para a população da capital. Passaram-se meses de trânsito carregado, poluição sonora produzida por britadeiras e caminhões e dificuldades de todo tipo enfrentadas pelos cuiabanos cotidianamente. Com certeza, durante esse período muitos devem ter colocado em dúvida o mérito do evento Copa do Mundo, em vista das dificuldades enfrentadas para a sua realização. Pois bem, para se ter uma ideia do que receber a Copa do Mundo significa para o desenvolvimento do nosso Estado, podemos observar os expressivos resultados econômicos registrados durante a Copa das Confederações no ano passado. Uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Ministério do Turismo revelou que o torneio produziu um movimento de R$ 20,7 bilhões, sendo R$ 11 bilhões referentes a gastos de turistas, do Comitê Organizador Local (COL) e de investimentos privados e públicos, e outros R$ 9,7 bilhões como renda acrescentada ao PIB brasileiro. De acordo com o mesmo estudo, a expectativa é de que a Copa do Mundo gere três vezes este valor. Caso se confirme essa projeção, a Copa do Mundo vai produzir um valor acrescido ao PIB que supera o investimento de R$ 25,8 bilhões previsto na Matriz de Responsabilidades. Dentre as cidades que receberão jogos da Copa do Mundo, Cuiabá se destaca como a cidade-sede mais beneficiada pelos investimentos realizados para a competição. Compartilha desta opinião o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que destacou o legado maior que será deixado pela Copa na capital mato-grossense como sendo a afirmação da vocação e grandeza dessa cidade, de se credenciar diante do Brasil e do mundo para receber grandes eventos, reafirmar a vocação de destino turístico, dadas as suas belezas naturais, mas também de destino de eventos não-esportivos e não-turísticos: congressos, feiras e espetáculos, quando esteve em Cuiabá para participar das reuniões operacionais do evento, em fevereiro. Cuiabá recebeu obras para melhorias em infraestrutura com investimentos previstos em R$ 2,4 bilhões e é a opção por obras necessárias, que garantem um benefício permanente para a população, que está na raiz do seu sucesso como cidade-sede. A reforma do Aeroporto Internacional Marechal Rondon vai pôr à disposição do povo de Mato Grosso uma estrutura equiparável à dos aeroportos da Europa. Com um investimento previsto de R$ 98,68 milhões para a reforma e modernização do terminal de passageiros, a adequação do sistema viário e construção do estacionamento, o resultado da reforma será um aeroporto capaz de oferecer muito mais conforto, segurança e mobilidade para os mato-grossenses. Sim, o primeiro objetivo é facilitar a chegada e partida de turistas durante o evento esportivo, mas os resultados da reforma do Marechal Rondon continuarão a beneficiar a expansão econômica do Estado por muitos anos. As obras nos sistemas de mobilidade urbana de Cuiabá, com investimentos previstos em R$ 1,7 bilhão, priorizam a implantação e a melhoria de sistemas de transportes coletivos e de meios não- motorizados, garantindo um impacto positivo na vida de toda a população da capital. Apesar de não ter ficado pronto para a Copa, quando concluído o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) vai proporcionar uma modernização do transporte público que colocará a capital mato-grossense anos à frente na questão da mobilidade urbana. Com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), estão sendo asfaltados diversos bairros da capital. Essa ação, aliada à duplicação da rodovia no trecho Cuiabá-Rondonópolis e a todo o trabalho sendo executado no entorno norte da capital, vai proporcionar maior fluidez para o tráfego seja para quem mora em Cuiabá como para quem está apenas de passagem. O impacto definitivo do conjunto de obras de mobilidade que estão sendo realizadas será sentido realmente apenas depois da conclusão do Mundial. A Arena Pantanal, que já foi entregue à Fifa e está pronta para receber os mais 40 mil torcedores que sua capacidade comporta, é um dos estádios mais modernos do Brasil. Com um projeto inovador, que leva em consideração as características climáticas da nossa capital, a Arena vai garantir um nível de conforto ímpar para os torcedores. Com investimento de R$ 570 milhões, sendo R$ 339 milhões de financiamento federal através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Arena foi construída para continuar a produzir benefícios para Cuiabá por muitos anos a vir. O caráter multiuso da estrutura garante que seu legado não se limitará aos campeonatos de futebol, podendo ser utilizada para receber eventos esportivos e culturais de todos os tipos. Todas essas obras e projetos geraram um grande influxo de pessoas para o Mato Grosso, o que produziu também um aumento da demanda no setor de serviços, gerando empregos e renda para os mato-grossenses. Não por acaso, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em janeiro apontou que o Mato Grosso teve o maior crescimento na receita do setor de serviços de todo o Brasil em 2013. Registramos uma alta de 20,4%, mais que o dobro da média nacional que foi de 8,5%. Esses números representam mais oportunidades para a população das grandes cidades e um impulso na arrecadação do Estado, o que por sua vez permitirá ainda mais investimentos. Estamos aproveitando a oportunidade criada pela realização da Copa do Mundo no Brasil para transformar Cuiabá em uma metrópole moderna, com infraestrutura comparável à dos países mais desenvolvidos. Aqui nós não construímos apenas um estádio de futebol. A Copa está trazendo significativos avanços no transporte público, no saneamento, na segurança pública e em muitas outras áreas. Aos que decidiram embarcar na onda do protesto, faço apenas um apelo. Nós, brasileiros, fazemos parte de uma nação jovem, com um povo gentil e de tradição hospitaleira. É esse o Brasil que queremos mostrar ao mundo. Chegou a hora de deixarmos de lado as diferenças e apreciarmos juntos esse momento histórico que a Copa do Mundo no Brasil representa. Vivemos uma nova página na história deste País e não podemos deixar que o oportunismo daqueles que veem o avanço do Brasil como a derrota de seu projeto político contamine essa conquista, que é de todos os brasileiros. Devemos nos unir na torcida pelo Brasil. Não apenas na torcida pela seleção brasileira de futebol, mas pelo Brasil como um todo. A Copa do Mundo vai terminar no dia 13 de julho após a final no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, mas o legado deixado por este evento ainda perdurará por muitos e muitos anos. É essa a certeza que nos move para fazer dessa Copa a melhor Copa de todos os tempos. Vamos caminhar juntos, unir nossas torcidas e fazer desta a Copa das Copas! * JULIER SEBASTIÃO DA SILVA é ex-juiz federal