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ARTIGO
Segunda-feira, 11 de Junho de 2007, 20h:12

JOSÉ MEDEIROS

O culpado é quem puxou o gatilho?

No momento, estamos todos tentando entender o que aconteceu no Jardim das Flores em Rondonópolis, são muitos os termos para resumir o acontecido uns dizem que foi uma fatalidade, outros que foi um erro, enfim cada um tem uma definição, os de mente mais fértil dizem que foi sabotagem... Houve um erro isso é inquestionável, mas vejo quem apertou o gatilho como o menos responsável por essa tragédia, aliás, se foi um caso de troca de arma, tem que se louvar o fato do policial não ter descarregado a arma, já pensou 7 cartuchos de escopeta cada um com 33 chumbos, disparados em meio à criançada? A tragédia poderia ter sido maior. Sobre a simulação em si, é bom lembrar que em outra oportunidade já havia ocorrido um acidente, foi na cidade de Alto Taquari, onde no mesmo cenário um policial de Rondonópolis quase perdeu a perna, após o estouro de uma bomba. Após tal acontecido o Comando Regional bem que poderia ter deixado essa simulação restrita aos muros do 5º BPM (Batalhão de Polícia Militar). A infelicidade do Comando Regional foi imensa ao escolher a mesma simulação para as crianças do Jardim das flores, esse é o ponto que venho a dias tecendo ressalvas, não tenho nada pessoal contra qualquer comandante, mas abomino visceralmente esse modelo pirotécnico de polícia. Policia não precisa dar show, isso é assunto para artista, tenho conversado com os policiais militares e vejo que os próprios estão descontente com o modelo de segurança aqui implantado, a PM em Rondonópolis está a beira de um ataque de nervos, é como se fosse uma panela de pressão prestes a explodir, há um conflito silencioso entre o comando e os comandados. Infelizmente temos que admitir, Rondonópolis não tem se dado bem com alguns comandantes, parece até que a cidade está sendo vista por esses senhores como catapulta para se promoverem ao comando geral. A cidade virou o laboratório da PM. Em todo Estado tinha a Policia comunitária onde a PM interagia com a comunidade muito bem, de repente é implantado o “novo modelo” e aí, da nisso. Esse modelo é cruel, não foi o primeiro problema, e se continuar essa forma de comando, não vai ser o último. O ser humano não consegue viver sobre pressão o tempo inteiro, uma hora vai errar. Nesse caso mesmo, os policiais trabalharam a noite inteira, e tiveram ainda que ir fazer a apresentação no jardim das flores, não sei o que houve mas pra alguém entorpecido pelo sono, ter pego uma arma carregada com munição real por engano é mole, mole, tente ficar uma noite acordado pra ver como você estará de manhã?. Eu vi o comandante falando em revista de 4 olhos, em protocolos de segurança... ocorre que essas coisas funcionam muito bem em circunstancias normais, não com um sujeito que passou a noite em claro. Mas o cenário já esta traçado, as entrevistas do alto comando deixam claro, o negocio é achar quem puxou o gatilho crucificá-lo e com isso recorta-se a cena do crime retirando dela os verdadeiros responsáveis. Salva-se o comando, e até a próxima tragédia! * JOSÉ MEDEIROS, acadêmico de Direito, professor de Matemática e presidente do PPS/Rondonópolis [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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