ARTIGO
Segunda-feira, 17 de Maio de 2010, 20h:35
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LORENZO FALCÃO
O calote no artista II
Lá se vão cinco meses que tasquei aqui um artigo registrando minha indignação contra o calote que está sendo aplicado pela Prefeitura de Cuiabá no artista Wlademir Dias Pino. Wladimir se encaixa na categoria dos multiartistas. Sua matéria é a letra, mas o resultado é quase sempre visual. Utiliza o potencial gráfico da letra como símbolo, e trabalha livremente as imagens, sempre carregando-as de significados e re-significados. Sua arte é por demais contemporânea e carece de estudos e aprofundamentos, para se compreendê-la em toda a extensão. Já escrevi tanto e demais sobre esse sujeito que me honra com sua amizade. Quando viajo para o Rio de Janeiro, sua terra natal, cuido para poder visitá-lo e absorver um pouco mais de sua sabedoria. Sei que, além da minha pessoa, ele tem muitos outros seguidores aqui em Cuiabá, cidade que habitou por três décadas ou quase isso. Não me conformo com o descaso com o qual o artista foi e ainda está sendo tratado. No ano passado, não me lembro exatamente quando, o então secretário de Cultura de Cuiabá, Mário Olímpio, me telefonou solicitando o telefone de Wlademir, no Rio de Janeiro. O ex-secretário, com quem também tenho amizade, viajou em seguida para o Rio, acompanhado por Adriana Bussiki, esposa do então prefeito, Wilson Santos. A missão da dupla era solicitar a Wlademir que criasse uma escultura/instalação que homenageasse a Silva Freire, poeta mato-grossense falecido, que seria edificada na Praça Oito de Abril. E lá está o trabalho de Wlademir. O artista atendeu a solicitação de Olimpio e Bussiki, projetando uma escultura que dialogasse com as letras de Freire, com uma invejável rapidez. Inversamente à rapidez de Wlademir, está o pagamento que a Prefeitura deve ao artista. E nem imagino quando será reparado este vergonhoso calote, que o Poder Público de Cuiabá está aplicando num artista que goza de reconhecimento internacional. Wlademir é citado, por exemplo, na jurássica enciclopédia britânica. Mas sua arte não respeita as fronteiras cronológicas e ainda merece a atenção dos novos caminhos e das estéticas visuais que preponderam neste cyber mundo. E agora, gente boa. Como é que se faz. Wilson não é mais prefeito e nem Mário é mais secretário de Cultura. Wlademir continua o artista de sempre. A valoração que a máquina pública destina ao artista é algo vergonhoso. Quando escrevi o primeiro O calote no artista, surgiu um zumzumzum de que ele iria receber. Necas, bulhufas... Daí, surge isto, O calote no artista II. LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço ás terças-feiras