ARTIGO
Quarta-feira, 08 de Setembro de 2010, 20h:01
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ANA ROSA FAGUNDES
O analfabeto político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo. O texto acima é de Bertold Brecht, poeta e dramaturgo alemão. A citação é bem-vinda, sobretudo hoje, em época de eleição. Quantas pessoas você não conhece que estufam o peito ao dizerem que não gostam de política? É certo que todas as notícias sobre corrupção que ocupam todas as páginas e minutos dos jornais deixa a população desacreditada de participar da vida política. E essa vida política não é a filiação partidária e militância, mas sim a pesquisa sobre a vida de cada um em que irá confiar o voto, a observação das propostas com relevância e conteúdo, do novo, daqueles preocupados com a educação, com a constituição e que trarão melhorias a longo prazo. A memória é, por muitas vezes, traiçoeira, nos prega peças. Difícil lembrar de todos os políticos que já estiveram envolvidos em escândalos envolvendo corrupção. De alguns nem é preciso muito esforço para lembrar. Vôte, mas como tem coragem de colocar a cara na TV e ainda pedir voto depois de tudo, já ouvi por aí. E também comento, é claro. Mas como são muitos os nomes dos nobres parlamentares envolvidos em causas escusas, recorremos ao Google, o grande oráculo do século XXI. Ali dá para achar tudo e mais um pouco. Os jovens têm a vantagem de pertenceram a geração mais bem informada de todos os tempos e a que tem maior acesso ao mundo, por crescer durante uma revolução acelerada dos meios de comunicação. O problema, se é que assim pode ser considerado, é que ele trocou as utopias pelo pragmatismo. Eles não são mais arrebatados por grandes questões de ordem, na linha capitalismo versus comunismo ou rebeldia versus caretice. De olho no futuro, estão mais interessados naquilo que pode afetar sua felicidade de forma concreta e imediata. Não temos mais hinos mobilizadores, mas nem precisamos deles. Ainda sim é temerário pensar que tudo já foi feito e reivindicado outrora por gerações passadas e fechar os olhos e pensar que, diante de tanta corrupção, não há mais jeito para nada. Vamos descobrir o preço do arroz, do peixe e saber que nosso voto pode evitar muito o que vemos por aqui... *ANA ROSA FAGUNDES é repórter