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ARTIGO
Quinta-feira, 17 de Julho de 2014, 19h:49

ROSIVALDO SENNA

Novos tempos

Banalizar! A palavra e os seus significados básicos (tornar banal) podem ser antigos, esquisitos, e tudo mais. Porém, mesmo de forma indireta, estão muito mais presentes no nosso dia a dia do que se pensa. O mundo globalizado, a evolução da espécie e o desejo latente de não ser taxado de retrógrado ou quadrado, fez também com que ao longo dos anos as tradições e o próprio comportamento do ser humano mudassem. Infelizmente, para pior! Hoje, tudo é permitido. Não se guarda mais os dias santos como antigamente. Não se respeita os mais velhos. Só se pensa no direito e se esquece do dever, e assim por diante. Tem até novela indicando o período exato para “perder” a virgindade e como deve ser (ou é?), o relacionamento hoje entre pais e filhos. Não somos contra, também “evoluímos”. Acreditamos que o conhecimento de causa é a melhor forma de se entender um assunto e, a partir deste ponto, separar o certo do errado. E aí está à mídia dando esta colher de chá. Porém, o que preocupa é que estes “ensinamentos” estão sendo copiados na íntegra pela sociedade e até virando moda. Os que ainda protestam, o fazem de forma acanhada. Alguns até reclamam. Mas não passa disso. Só caem na real quando o “tema” atinge sua família. Aí são despertados por um sentimento puritano e não acham nada banal. Mas, ninguém escapa. E este ingrediente [a banalização] a mais na mídia requer muita atenção, pois muitas dessas “mensagens” são passadas por pessoas sem preparo para tal. E também mais atenção do governo para acompanhar de perto tudo que está acontecendo. Antigamente, antes de tudo tornar-se banal, cobrava-se dos governantes mais investimentos na saúde e na educação, áreas apresentadas como os principais pontos para se ter uma sociedade saudável e responsável. Hoje, não. Tem que cuidar do comportamento humano também. Antigamente, as crianças morriam de medo do Bicho Papão. Hoje é do assaltante, do estuprador e do “Caveirão”, veículo blindado da polícia carioca que entra nas favelas procurando bandidos e atirando para todos os lados. As nossas crianças têm hoje a sua frente todo o tipo de violência. Assassinatos e acidentes, por mais graves que sejam já não assustam mais ninguém. Virou rotina. O mesmo acontece no seio da família. Tudo é banal. Se até hoje toda essa violência, por mais simples que fosse, tivesse o tratamento certo e a consciência do mal que representa, teríamos um mundo melhor, sem banalidades. ROSIVALDO SENNA é jornalista em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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