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ARTIGO
Quarta-feira, 09 de Março de 2011, 20h:42

TÂNIA NARA MELO

Mulheres

Esta semana comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Nos mais diferentes pontos do planeta, mulheres receberam homenagens e também fizeram protestos contra a discriminação das quais ainda são vítimas em muitos países. Foram muitas as conquistas ao longo das últimas décadas, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que possamos de fato dizer que conquistamos a igualdade de direitos. Nossa participação no mercado de trabalho e na economia do país hoje é altamente significativa. Basta lembrar que elegemos uma mulher para dirigir a nação, mas ainda assim temos muitos obstáculos a vencer, pois a grande maioria das mulheres, apesar de capacitadas profissionalmente, recebe salários menores que os dos homens. Pesquisas mostram que no Brasil as mulheres no mercado de trabalho têm um nível de escolaridade superior ao dos homens, mas recebem apenas 70% do salário masculino. Sem contar que boa parte delas cumpre dupla jornada de trabalho, pois as tarefas domésticas e a educação dos filhos são incumbências que a sociedade lhes delega naturalmente, quer queiram ou não. Mas, pior do que isso é a forma como são tratadas em alguns países, onde só têm deveres e nenhum direito. Estudar ou trabalhar fora, então, é algo totalmente fora de cogitação. Some-se a essas humilhações e constrangimentos os casos de violência doméstica, que em alguns países são até mesmo considerados como normais e corriqueiros. Por aqui, as estatísticas mostram que nada menos do que dois milhões de mulheres por ano sofrem com as agressões de seus maridos ou namorados. Em alguns locais as mulheres ainda são levadas para a frente de batalha dos chamados movimentos revolucionários. Como é caso das guerrilhas de esquerda das Farc e ELN, na Colômbia, que têm em suas fileiras cerca de seis mil mulheres. Elas representam 30% dos movimentos e 40% delas são menores, com idade entre 12 e 17 anos. E o que é pior, a maior parte é recrutada à força. Os números, como se pode ver, não são muito animadores, mas também temos conquistas a comemorar. A Lei Maria da Penha é uma delas, pois fez com que muitas mulheres ganhassem coragem para denunciar seus agressores. E Cuiabá, de acordo com a própria Maria da Penha que deu origem a Lei de proteção às mulheres, é a cidade do país onde mais a lei tem sido colocada em prática. Onde ela, de fato, tem funcionado. Isso é alentador e nos deixa otimistas; mas o caminho a percorrer ainda é longo.. Como se vê, no Dia Internacional da Mulher, tivemos muito a comemorar, mas também ficou a certeza de que há muito mais ainda a ser conquistado. Queremos e merecemos mais respeito e mais direitos! TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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