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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 22 de Agosto de 2009, 08h:02

PAULO ZAVIASKY

Médicos de Cuiabá

Muitos anos atrás, época de ouro em minha vida nesta Cuiabá de meus amores, das festas e com os holofotes da TV Centro América onde fomos até “artistas” naquele pioneirismo gostoso para minha idade, estava quase só, no silêncio de um quarto na Santa Casa de Misericórdia. Vigília familiar. Obrigação de filho com a mãe que sofrera cirurgia emergencial. Durante a noite toda, um vai e vem de médicos, enfermeiras e das idolatradas majestades do bem das irmãzinhas de caridade da Santa Casa de nossa grande História de Verdade. Acostumado a vivenciar, por pura coincidência do destino, o foco de todas as atenções, com, até, pedidos de autógrafos, vejam só se não devemos reverenciar o povo cuiabano desta minha cidade natal, que sempre procura e acha motivos quaisquer e até imerecidos como meu caso, para abraçar e dar alegria aos semelhantes... ...Percebi e vi, naquela noite de preocupação e de silêncio que minha mãe foi a artista principal, mesmo em estado irreversível da doença; mesmo dormindo gostoso um sono provocado. E notei, também, que sempre nos esquecemos da abnegada classe médica absurdamente marginalizada pelos donos da nação. No momento em que um vice-presidente da República fica doente, apenas aí, as autoridades reverenciam os médicos, mesmo assim só em papo furado. No momento em que a candidata do nosso Lula, a querida e hoje linda Dilma fica careca, com perucas ridículas, por causa da quimioterapia de câncer irreversível como todos desse tipo, é um corre-corre de pensamentos numa solução na saúde do povo brasileiro e que sempre fica estacionada nas sarjetas do circo Brasil. E os médicos nunca param. Sou de uma época em que a Medicina no Brasil era respeitada a todo o momento. Hoje, ao contrário, só quando um raio despenca sobre cabeças coroadas. Pensei comigo mesmo, naquela noite de guarda, nunca vi notícias sobre a abnegação dos médicos a não ser quando um dos dois esteja muito doente. Nos leitos de hospitais, quantos poetas, escritores, jornalistas, políticos, forças armadas, fazem um barulhão danado homenageando essa classe sacrificada... No momento em que recebem alta, saram, curam, fica bons, às vezes nem cumprimentam mais esses abnegados missionários de Deus, com todas as falhas que todos os seres humanos possuem. Às vezes até processam médicos e hospitais que lhes salvaram a vida, anônima e secretamente, para receber um dinheirinho amigo. Hoje, passado muito tempo daquela dor antiga e, ao mesmo tempo confortável, embora pareça paradoxal, pelo tratamento tão carinhoso que minha mãe recebera; neste momento em que apenas a política do Brasil me envergonha, com tudo em cima, só faltando ganhar na Megasena; ao ver uma publicidade na TV da Santa Casa de Misericórdia rogando contribuição de dois reais dos cidadãos de bem para ajuda de manutenção àquele gigante de nossa História, a angústia e a revolta me animam a soltar os meus cachorros em cima dessas porcarias que se dizem homens eleitos pelo povo. Até para salvar meu fígado e não ficar doente. Dois fatos ficam patentes. Muitos governantes falham mesmo com a saúde do Brasil e, segundo, mesmo assim esses éticos homens missionários da vida continuam sacrificando suas famílias, suas próprias vidas, em nome de uma ética que tem um lado só: a dos médicos! O outro lado, dos síndicos dos poderes, é uma porcaria, safadeza, sem-vergonhice e todos os nomes feios que aprendi até hoje! Pronto, salvei parte de meu fígado! Meu caro leitor, ao ver um médico ou médica, mesmo que estejam esbagaçados, com olheiras, despenteados, barba por fazer, pense um só segundo, onde está e como a família deles; esteve quanto tempo de plantão para as olheiras da vida; quantos desaforos enfrentou e quantas vidas salvou ou amenizou ou confortou ou orientou; quanto ganhou para isso tudo e... Se você teria coragem de passar por isso tudo. Quase de graça! No Brasil. Em MT. Em Cuiabá. Ou em Capela do Piçarrão, em VG. * PAULO ZAVIASKY é um admirador das maravilhosas irmãzinhas de caridade da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá pelo bem que tanto fizeram para tanta gente da gente [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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