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ARTIGO
Segunda-feira, 25 de Junho de 2007, 20h:01

ONOFRE RIBEIRO

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (2)

Para compreender a febre do etanol em Mato Grosso do Sul e a sua rapidez no trato ambiental, é preciso recordar que o estado produz apenas 5 milhões de toneladas de grãos, contra 26 milhões de Mato Grosso. Além do mais, com dificuldades de ampliação da área plantada, o estado viu no etanol uma possibilidade de retomar o seu desenvolvimento econômico. O mérito maior, está na superação dos entraves ambientais e políticos. No artigo anterior citamos que o governador André Pucinelli aproveitou-se da brecha do poliduto previsto pela Petrobrás para nascer no porto de Paranaguá, onde está a refinaria do Paraná, e chegar até Cuiabá. Daí a articulação inicial com o governador Blairo Maggi para pressionarem a Petrobrás e consolidar o projeto. O traçado sai de Paranaguá, vai a Bataguassu(MS), Campo Grande, deriva a Oeste, passando pelas área de produção, até Rondonópolis e daí até Cuiabá. Aliás, a título de risco, é bom lembrar que a Ferrovia Noroeste projetada no começo do século passado, para sair de Bauru(SP) e chegar a Cuiabá, em Campo Grande, na época um vilarejo, também derivou para Oeste e acabou em Corumbá, sem nunca chegar até Cuiabá. Para alimentar o poliduto, cujas obras devem se iniciar em 2009, mas o governo sul-mato-grossense quer antecipar para 2008, são necessários 2,5 milhões de metros cúbicos de etanol, que justificariam o atual esforço em produção e em plantio de cana no estado. A questão ambiental que impede em Mato Grosso a expansão do etanol, ainda está amarrada a traumas que assolam a Secretaria do Meio Ambiente, por conta de questões anteriores ligadas a problemas com o desmatamento para avanço da soja, da pecuária e operações sobre a madeira. Sobre isso pesaram no Governo de Mato Grosso e no governador Blairo Maggi fortes pressões ambientais que ainda não acabaram e que põem um grande limite na expansão produtiva no estado. Hoje qualquer licença ambiental está tecnicamente liberada se estiver de acordo com a legislação, mas na prática não é concedida. Os técnicos estão amedrontados e rebelados, e o governador sente-se pressionado e não desempata o assunto. Esse marasmo da Sema tem contaminado muito o interesse de empresários interessados no etanol e em outros empreendimentos. A perda maior está na desconfiança de que em Mato Grosso não existem garantias para os investimentos por causa da paranóia ambiental que se estabeleceu no estado. Pode ser que a euforia de Mato Grosso do Sul não dure muito ou que se reverta em riscos, mas chama a atenção positivamente dos investidores nacionais e internacionais. O governador André Pucinelli prevê que até 2012, 50% dos investimentos em etanol serão estrangeiros e, que eles farão uma revolução urbana e de qualidade de vida nas pequenas cidades onde se implantarão. Até porque esses investidores prescindem do PAC do governo, até mesmo em relação ao poliduto que custará US$ 250 milhões que eles próprios poderão construir. Pode ser, também, que Mato Grosso só esteja sendo cauteloso. Mas mesmo para a cautela excessiva há um preço, que pode se estender à idéia de que investir no estado não traz garantias, pela inobservância das leis vigentes, ensombreadas pelas pressões e pelas paranóias ambientais. O assunto encerra amanhã. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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