ARTIGO
Sábado, 06 de Junho de 2009, 16h:29
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MÁRIO M. DE ALMEIDA
Língua solta
Feito macaco saltitante em cristaleira, o aloprado ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, segue impune protagonizando episódios lamentáveis no governo do presidente Lula, que demonstra não ter força para fazer com que seu boquirroto auxiliar, que tem a língua solta e fala pelos cotovelos, mantenha compostura mínima com o relevante cargo que ocupa. A última do Minc foi chamar todos os produtores rurais brasileiros de vigaristas e não sofrer sequer uma repreensão pública do seu chefe. Quando o certo mesmo, seria Lula tê-lo demitido do cargo, liberando-o para, como simples militante, despido dos ritos e encargos ministeriais, participar das passeatas e movimentos pela liberalização do uso da maconha, como já o fazia no Rio de Janeiro antes de virar inquilino de um vistoso e não menos importante cargo do primeiro escalão do governo federal. Se não tem condições políticas para exonerá-lo ou seja, disposição para enfrentar lobbies barulhentos que respaldam o ministro - , Lula, quando nada, deveria convocar uma entrevista coletiva, sentar o ministro ao seu lado, e dizer para a Nação, em alto e bom som, que o seu governo não comunga com preconceitos e juízos iguais aos emitidos pelo titular do Ministério do Meio Ambiente e que feriu a honra de milhares de pessoas, proferindo uma grave injúria acompanhada de calúnia e difamação contra todo um segmento importante da sociedade brasileira. É a reação mínima que o presidente da República deveria ter, se é que não comunga mesmo com a opinião de Minc sobre os ruralistas patrícios. Em cujo meio, é verdade, podem existir vigaristas, assim como também vicejam, infelizmente, em todas as demais classes e categorias sociais. Aliás, considerando a visão distorcida e preconceituosa de Minc, vigaristas só não devem existir na classe política, da qual o ministro faz parte. Se o presidente da República não tomou nenhuma atitude mais enérgica contra Carlos Minc, já a senadora Kátia Abreu (DEM), presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), não deixou barato a infâmia proferida em prejuízo da classe que ela representa. Abreu protocolou uma representação contra o ministro do Meio Ambiente junto à Procuradoria Geral da República, órgão máximo do Ministério Público Federal. Se o caso for levado em frente, pode ser que se transforme em um processo contra o ministro falastrão, irresponsável e inconseqüente, e este seja condenado pelo crime de injúria. Espera-se que essa ação prospere e não tome o rumo do engavetamento. No que depender da iniciativa já tomada pela presidente da CNA, Minc pode vir a enfrentar, mais adiante, consequências judiciais desagradáveis por não ter freio na língua e sofrer de incontinência verborrágica. É verdade que não se pode esperar punição mais drástica nesses casos que seria a demissão do ministro -, porém é a única medida que estava à altura de Kátia Abreu tomar. E ela, de imediato, procurou o caminho correto e disponível para tentar enquadrar Carlos Minc, considerando que o presidente Lula, que deveria fazer esse dever de casa, deu uma de Póncio Pilatos e lavou as mãos... Louve-se, portanto, a decisão de uma mulher que não passou batida em um lamentável episódio, que feriu a honra dos seus pares ruralistas, e nem usou de panos quentes ou passou a mão na cabeça do agressor, considerando a ofensa irrelevante, como costuma ocorrer em muitas outras situações em que pessoas e instituições atingidas em seus valores morais, por não reagirem no ato, contribuem para aquela assertiva que diz: Quem cala, consente. E Kátia Abreu, ao contrário de Lula, não calou e nem consentiu! * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única