ARTIGO
Quinta-feira, 09 de Agosto de 2012, 21h:02
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EVALDO DE BARROS
Justificando a cidade vive
Devo ao Diário de Cuiabá e à Editora Janina, pertencente ao grupo de Livrarias Janina, o lançamento do meu livro A cidade vive dos que vivem e viveram nela no último dia 8, às 19 horas, no Shopping Pantanal. Emocionou-me profundamente as presenças dos protagonistas do livro e de inúmeros amigos e colegas de longa data. Fiz na ocasião um breve pronunciamento, ouvido com benevolência pelos presentes e que preciso divulgar, como uma espécie de satisfação à opinião pública de minha terra. Nada mais apropriado que o faça através deste querido Diário de Cuiabá. Segue, pois, abaixo, a íntegra daquilo que falei. Sejam as minhas palavras vestibulares para justificar à seleta plateia a opção que fiz pelo pronunciamento escrito. Amigo da fala de improviso, impus-me o dever de ler algumas considerações que fiz ao correr da pena. É que, na verdade, preferi não ser traído pelas emoções que cercam este tipo de acontecimento. Prometo que serei breve o bastante para receber a generosa compreensão dos presentes. Cumpre-me declarar como registro histórico que o projeto que resultou nesta coletânea colimava a população da terceira idade. Parecia-me obrigatoriedade inafastável o enfoque da vida alternada de velhos e ou mortos. Depois, numa reflexão impulsionada pelos novos tempos, concebi que também os mais jovens, respeitada sua especialidade profissional, o exercício de atividade complexa e o notável sucesso do empreendimento em que se aventuraram mereciam registro como forma de lhes agradecer a contribuição ao nosso progresso. Daí, pois, o motivo das inserções de entrevistas com pessoas que ainda não viveram muito em idade, mas que vivem intensa e corajosamente neste mundo complicado e desafiador. De outra parte, no folhear o livro, num relance de olhos, é quase certo que muitos me censurarão por ter omitido do seu rol várias pessoas. Não tenho defesa para isso. Mas é preciso que eu faça uma confissão pública: inúmeras pessoas foram procuradas para que falassem de si ou de seus parentes falecidos e estas se negaram a fazê-lo. Não vou citar nomes para evitar a indelicadeza que a sinceridade possa representar. Mas não devo, por amor à verdade, aceitar sozinho o resultado que tais desinteresses produziram. Aliás, é da índole de nossa gente essa estranha mania de ser humilde. E esse comportamento inapropriado nos dias que fluem quase sempre cria situações embaraçosas a quem não as merecia. Vamos, pois, estabelecer o seguinte: quase todas as omissões foram culpa minha; o que faltou, esse quase, para identificar a unanimidade comportamental, debitemos àqueles que não quiseram falar. Conforta-me, todavia, a possibilidade do conserto. Como as obras deste tipo somente têm início, fica reservado para o futuro, através de minha própria pessoa ou dos outros que depois de mim melhor farão, focalizar as pessoas ausentes deste primeiro volume. Afinal, a cidade vai sempre e inexoravelmente viver dos que vivem e viveram nela. Muito obrigado a todos que falaram comigo e aos que compareceram a este singelo lançamento. *EVALDO DE BARROS - jornalista, escritor, professor, procurador de justiça aposentado e autor do livro A cidade vive dos que vivem e viveram nela,