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ARTIGO
Quarta-feira, 13 de Junho de 2012, 21h:49

CARLOS FÁVARO

Integração nacional

Mato Grosso recebe, desde a última segunda-feira, o VI Congresso Brasileiro de Soja, um evento realizado pela Embrapa Soja, e que este ano tem a Aprosoja como correalizadora. O tema escolhido cai perfeitamente para o nosso estado: “Soja: fator de integração nacional e desenvolvimento sustentável”. Os números e a história não mentem. O desenvolvimento da região Centro-Oeste tem dois grandes marcos: a construção de Brasília, em 1960, e a introdução da cultura da soja a partir da década de 80. Na época da construção da capital federal, o Centro-Oeste representava menos de 1% do PIB nacional, com apenas três milhões de habitantes. O impacto da construção de Brasília na região foi imenso e na década de 80, o PIB dobrou, alcançando cerca de nove milhões de pessoas. Após a chegada da soja até os dias atuais, a participação do Centro-Oeste no PIB nacional dobrou mais uma vez e a população acompanhou este crescimento. Não é à toa que a chamamos a soja de grão milagroso. A cultura foi a responsável pela mecanização nas lavouras brasileiras, pela modernização do sistema de transportes, pela profissionalização e incremento do comércio internacional, por expandir a fronteira agrícola brasileira, pelo fomento às pesquisas no setor agrícola, pela industrialização dos produtos e pela interiorização da população. Ainda precisamos considerar outros fatores que auxiliaram este desenvolvimento, como a criação da Embrapa, em 1973, e a construção de importantes rodovias federais, tais como a BR-163, a BR-070 e a BR-364, que proporcionaram a migração e ocupação de estados antes desabitados, no centro do país. Porém, a integração por si só não faria sentido se não fosse o modelo de desenvolvimento que o setor soja trouxe. Urbanização das cidades do interior, a descentralização da agroindústria nacional e o aumento no número de empregos diretos e indiretos. A cultura da soja gera 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos no Brasil. Em outras palavras: mais renda à população das regiões onde há lavouras deste grão tão pequeno, mas tão rico em tantos aspectos. Para se ter uma ideia da contribuição da soja para o desenvolvimento sustentável do Brasil e, em especial, de estados como Mato Grosso, é só olhar os números históricos dos municípios mato-grossenses. Cidades como Campo Verde, Sorriso, Primavera do Leste, Rondonópolis, Nova Mutum, Sinop, Lucas do Rio Verde e Tangará da Serra, entre tantas outras, se desenvolveram com forte participação da soja na economia. E temos também exemplos assim em Goiás, como Jataí, e no Mato Grosso Sul, com Chapadão do Sul. São cidades que possuem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) acima da média nacional. Junto com o grão da oleaginosa, vieram todos os benefícios agregados à sua produção, evidenciando como clusters podem se formar onde há lavouras do grão. Com a produção do grão, as cidades recebem indústrias, e com elas, são viabilizados empregos diretos, aumenta a demanda por comércio, e assim, há a criação de empregos indiretos. Com mais população, chega a necessidade de mais infraestrutura na cidade, mais escolas, mais saúde e mais lazer. Precisamos agora construir aquele que será o terceiro grande marco do desenvolvimento do Centro-Oeste. Nada me tira da cabeça que este novo período passa obrigatoriamente pela implementação de novos projetos logísticos, principalmente no estado de Mato Grosso. Destaco, por exemplo, como obras prioritárias, a Ferronorte até Rondonópolis, a FICO, até Água Boa, e posteriormente Lucas do Rio Verde, hidrovias, como a do Juruena-Teles Pires-Tapajós, e rodovias como a BR-163, até Santarém, no Pará, a BR-158 e a BR-080, que vão permitir conectar o estado aos portos do Arco Norte do país. A soja é, portanto, um fator de integração nacional e desenvolvimento sustentável. Estamos apenas começando a traçar essa história, muitas coisas boas ainda virão. Vamos acompanhar e nos certificar que teremos desenvolvimento sim, porém, sempre com muita responsabilidade e sustentabilidade. *CARLOS FÁVARO é produtor rural em Lucas do Rio Verde e presidente da Aprosoja

Edição EDIÇÃO 16959




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