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ARTIGO
Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011, 20h:57

PAULO PANOSSIAN

Inflação, herança maldita do PT

Em 2005, o então ministro da fazenda Antonio Palocci, sugeriu que os gastos improdutivos fossem reduzidos gradualmente até zerar o déficit público. Na época a ministra Dilma Rousseff desqualificou a proposta como “rudimentar”, e o projeto infelizmente foi arquivado. Se o plano fosse seguido à risca a inflação não teria chegado aos 5,99%, em 2010, e a família brasileira principalmente de renda baixa não seria penalizada com o encarecimento da cesta básica em mais de 15%. Como o mundo dá muitas voltas, a mesma Dilma Rousseff como presidente é obrigada agora a anunciar um corte no orçamento de 2011 no valor astronômico de R$ 50 bilhões, para reduzir os gastos públicos, objetivando diminuir a inflação e melhora do déficit fiscal, que do jeito que está desanda para pior. Tudo isso teria sido evitado se a hoje mandatária máxima do País não tivesse desprezado o plano de Palocci. Pois bem, esta irresponsabilidade da gestão petista trará grandes prejuízos para nossa economia. O PIB neste ano deverá despencar de 7,5% em 2010, para algo próximo de 4%. Consequentemente teremos redução na oferta de empregos. Outra perversidade que já constatamos nestes últimos 60 dias é do aumento de juro. Para crédito pessoal os bancos aumentaram as taxas de 40% para 50% ao ano. As empresas também amargam o alto custo financeiro! O crédito está escasso e caro porque a inadimplência cresce! E o prazo médio de parcelamento nas compras foi reduzido. Financiamento para veículos novos os juros subiram de 0,80% para 1,80% ao mês. Uma paulada! Além do mais, esta inflação desenfreada, eliminou os benefícios dos reajustes salariais dos trabalhadores, aposentados e pensionistas. O ex-presidente Lula, que auto se denominava pai dos pobres, mandou esta conta salgada e indigesta para aqueles que acreditaram nas suas promessas, com a cumplicidade direta de Dilma. Outra consequência nefasta é o aumento da taxa básica Selic que, de 10,75% foi para 11,25%, e até dezembro se projeta 12,5%. Ou seja, somente com esta ação do BC, o governo central em 2011 terá de assumir à mais de juros sobre a dívida pública, algo próximo de R$ 45 bilhões. Recursos estes que daria para construir o Trem-Bala, todos os estádios para copa de 2014 e modernizar os portos e aeroportos, etc... Na realidade o anúncio de cortes no orçamento de 2011, não pegou bem no mercado, porque o descrédito é grande! Por quê?! Porque quem preside hoje o País, como citei acima se negou em 2005 de priorizar a qualidade dos gastos, e apoiava incontinente o Lula nesta farra com recursos do erário. E a dúvida agora é se a Dilma realmente aprendeu com seus erros! Enquanto isso os investimentos não vão prosperar, a infraestrutura, como estradas portos aeroportos, ferrovias devem continuar um caos. A saúde não receberá tão cedo mais recursos, porque se estes cortes de gastos se confirmarem serão necessários no mínimo dois anos para a inflação voltar ao eixo dos 4,5%, e a economia a seu curso normal. Ou seja, o Brasil mais uma vez perde o bonde da história da eficiência. Logicamente que o petismo está feliz. Venceram a eleição, continuam no poder, e não vão faltar discursos indigeríveis para disfarçar esta herança maldita da inflação. E o povo que se lixe... * PAULO PANOSSIAN é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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