ARTIGO
Terça-feira, 27 de Julho de 2010, 19h:29
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JOANICE DE DEUS
Imagem de má qualidade
Há alguns dias, a Marianna Peres, editora do Caderno de Economia do Diário, escreveu neste mesmo espaço um artigo sobre a má impressão que o turista tem de Cuiabá. Porta de entrada para outros atrativos como Chapada dos Guimarães e o Pantanal, a capital tem grandes potencialidades turísticas, especialmente, nas áreas de gastronomia e religiosidade. Tem casarões, igrejas e praças que poderiam ser melhor aproveitadas. Mas, não são. Em diversas matérias que já escrevi sobre o assunto ouvi críticas de visitantes e profissionais da área. Uma delas mostrou, por exemplo, que quem chega à cidade sequer tem um tour dirigido ou mesmo encontra diversas atrações turísticas de portas fechadas. Outra mostrou a lástima em que se encontra o Museu do Rio de Cuiabá Hid Alfredo Scaff, no Porto. Dias desses, aqui mesmo na Redação, um colega de trabalho comentou sobre a impressão de um grupo de turistas que pegou um ônibus da região do Grande Coxipó. Os comentários, segundo ele, sobre o transporte coletivo não eram nada animadores. Lembrei-me, então, da impressão que tive ao fazer recentemente uma matéria sobre as obras do Balneário da Ponte de Ferro, às margens do Rio Coxipó. O projeto está entre os principais da Copa do Mundo de 2014. Para se chegar até lá, o caminho mais perto é pela Avenida Dante de Oliveira, a antiga dos Trabalhadores. Até o bairro Três Barras, o visitante terá que passar por dois córregos sujos e fétidos. Após, pega uma estrada de chão, que em boa parte do seu trecho estava com as duas margens tomadas pelo lixo jogado pelos moradores da região. Chegando ao canteiro de obras fiquei impressionada com a estrutura que está sendo construída para receber o visitante. Vestiários, quartos, banheiros, quiosques e até posto policial com cela. Não senti segurança. Fico me perguntando como é que a polícia que vive reclamando da falta de efetivo vai manter um posto policial naquele lugar distante da área urbana. Recentemente a PM fechou até o posto que funcionava no pronto-socorro municipal. O que se espera é que com os investimentos que virão com a Copa do Mundo os administradores da cidade acabem com essa má impressão. Pois, a imagem que se leva daqui, exceto pela comida e hospitalidade do cuiabano, não é a de melhor qualidade. É analógica, não é digital. *JOANICE DE DEUS é repórter