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ARTIGO
Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013, 20h:37

YURI RAMIRES

Homofobia

Na semana em que a bandeira do arco-íris tomou conta do centro de Cuiabá, devido à 11ª Parada da Diversidade Sexual, um dos representantes da população na Câmara Municipal, vereador Oséas Machado, rotulou o casamento gay como uma aberração. Não é de hoje que o vereador usa a tribuna da 'Casa de Leis' para se posicionar contra as políticas voltadas aos homossexuais. E justamente na semana que a capital se preparava para 'gritar' contra a homofobia Oséas afirmou estar feliz com o fato da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal ter aprovado uma proposta que susta os efeitos da resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que proíbe os cartórios do país a negar pedidos de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Vale ressaltar que Oséas é filiado ao Partido Social Cristão (PSC), que tem como seu maior representante o deputado federal e líder da comissão de Direitos Humanos, o polêmico Marcos Feliciano, que nas horas vagas também atua como pastor. O vereador segue a linha de Feliciano e diz que esses direitos ferem os princípios divinos e humanos. Agora, com tantos problemas que Cuiabá vem apresentando, é correto que um vereador use seu espaço no Legislativo para 'aplaudir' políticas que não vão de encontro aos direitos das pessoas devido a suas crenças pessoais? Oséas já usou a tribuna para dizer que o homossexual está excluído da salvação, e justificou que a afirmação está na bíblia. Este foi um dos motivos que levaram a Parada Gay ter o tema "Estado laico: sua religião não é nossa lei". O movimento gay, que está mais engajado politicamente, afirma que o teor da parada neste ano discordou que a luta pela igualdade de direitos tenha relação com a religião. E para reforçar a afirmativa de que 'Deus ama a todos', membros da primeira Igreja gay de Cuiabá, a Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), foram parceiros e contribuíram na organização da parada. A Igreja foi fundada em fevereiro deste ano, e desde então vem reunindo pessoas que se sentem deslocadas devido ao pensamento imposto por outras religiões. No local você aprende a viver sua espiritualidade de forma livre, como o próprio fundador diz. A ICM foi fundada nos Estados Unidos, e já está presente em mais de 40 países. Lá, o pastor César Loyola trabalha com a desconstrução do discurso fundamentalista, preconceituoso e machista, que muitas Igrejas andam reforçando, e traz o amor incondicional de Jesus. O mais importante é saber respeitar e conviver com as diferenças. "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo", João 15:12. YURI RAMIRES é repórter

Edição EDIÇÃO 16965




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