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ARTIGO
Segunda-feira, 04 de Fevereiro de 2013, 21h:05

LORENZO FALCÃO

Hollywood

‘Hollywood, Hollywood, comigo ninguém pude...’ Frase poema de Chico Amorim, artista cuiabano e filósofo visionário do cerrado, que se mandou deste mundo em três de fevereiro de 2002. Ao grande amigo e compadre dedico este texto de hoje. O mercado cinematográfico planetário é o tema destas palavras. O negócio do cinema e o predomínio americano mundial. É mais ou menos assim: nosotros entalados de enlatados. Apesar de que é importante registrar que o cinema americano, notadamente o independente, também produz notáveis obras de arte. Antes de entrar de cabeça na frieza dos números, dos dados estatísticos e percentuais reveladores que pesquei por aí na internet, comecemos deixando bem claro que uma coisa é o cinema de entretenimento, aquele que visa exclusivamente o lucro, embora seja produzido, em muitos casos, com todo o requinte da carpintaria cinematográfica, o que significa que tem lá suas características como arte. E outra coisa é o cinema que tem a sua concepção calcada fielmente na criação e no experimento artístico, e que quase sempre a sua exibição não implica em bilheterias espetaculares. Mas, comumente, são esses filmes que vão contribuir para consolidações e transformações que envolvem questões estéticas, conceituais e comportamentais. Há poucos dias saiu a informação de que o cinema brasileiro teve 15,5 milhões de espectadores no Brasil, o que equivale a aproximadamente 10% do total de público que foi ao cinema em 2012. Esse problema, entretanto, não é apenas brasileiro. Notícia ainda mais recente apresenta levantamento dessa natureza em relação aos países europeus e mostra que, em média, essas nações tiveram um público inferior a 15% para seus próprios filmes. Nos últimos anos, o percentual mais positivo deu-se na França, 41,6% (2011), e o mais negativo em Portugal, 07%. Isso significa que o mercado cinematográfico na Europa, como no Brasil, é dominado pela indústria hollywoodiana. E o curioso é que o cinema americano deslanchou, enquanto indústria, baseado no livre mercado. Enquanto isso, o Brasil e praticamente todos os países da Comunidade Europeia recebem subsídios do Estado. Além dos subsídios para o cinema, vários países adotam outras medidas na tentativa de impedir o domínio das produções americanas. Na França, Coreia do Sul, Espanha e Itália, por exemplo, existe legislação chamada cota de tela que privilegia as produções nacionais. Já na Índia, Turquia e Canadá, existem barreiras tarifárias para o ingresso dos pacotes fílmicos dos EUA, e a França, Alemanha e Itália também cobram uma taxa sobre os ingressos vendidos, que é revertida em investimentos na produção local. Em alguns países há, ainda, a obrigatoriedade de as televisões investirem parte de seus lucros no cinema. Esta é uma boa pauta para especialistas do mercado cinematográfico discutirem. Como e por que todas essas ações preventivas não conseguem brecar o espírito mercantilista do cinema do Tio Sam é uma pergunta que fica no ar. LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário e do site turannusmelancholicus.com.br e escreve neste espaço às terças-feiras

Edição EDIÇÃO 16961




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