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ARTIGO
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 21h:04

CLAUDIO DE OLIVEIRA

(Des)Caminhos da ciência

A ciência sempre trabalha com hipóteses. Nasce como uma probabilidade ou mesmo um sonho utópico que muitas vezes pode ser tachado como louco. As probabilidades abertas pelas pesquisas com células-troncos são tão abrangentes, que chega a ser irritante a demora na aprovação das pesquisas pelo STF. A Igreja, é claro, também recebe as críticas, pois se mobiliza contra o avanço científico com o argumento de que está a favor da vida. Aqueles que defendem as pesquisas também se dizem a favor da vida e a meu ver possuem argumentos muito mais convincentes do ponto de vista racional do que a Igreja que tem se apegado a convicções errôneas sobre o princípio e a possibilidade real da vida para estes embriões. Contudo, a ciência realmente nos assusta, às vezes. Recentemente, foi anunciado um resultado positivo por cientistas argentinos que conseguiram manipular a proteína que interfere na memória para eliminar as lembranças indesejáveis. Ou seja, uma proteína denominada NF-kB que atua tanto no processo de consolidação como no de confirmação da memória e regula a expressão de genes necessária para armazenar lembranças no longo prazo. Seria um ótimo caminho para o tratamento de fobias, síndrome do pânico e outros acontecimentos traumáticos que afligem a humanidade contemporânea. Mas, por outro lado, poderia ser utilizada nefastamente para apagar registros prazerosos ou comportamentos indesejados pelo Estado. É claro que está apenas no início das pesquisas, somente foram efetuados testes em sistemas simples como o dos ratos, mas me dá frio na espinha só de pensar o que um ditador pode fazer com um “remédio” deste. Imagina o tratamento de choque que podem sofrer prisioneiros ou mesmo pessoas que “sabem demais”. Outro exemplo que gela a costela é a ativação do DNA de um mamífero extinto há 70 anos. Um grupo de cientistas australianos anunciou a ressurreição de partes do DNA do Tigre da Tasmânia. Ele foi implantado em um embrião de camundongo e, apesar de estar há cem anos no álcool, ele(o DNA) voltou a funcionar. Na hora imaginei Jurassic Park e outras aberrações possíveis que sem dúvida colocariam em xeque o equilíbrio frágil da natureza. É lógico que as boas intenções existem. Afinal, em um mundo de prováveis extinções em massa de animais, mantê-los vivos é sempre uma opção saudável, ou será que não!? CLAUDIO DE OLIVEIRA é jornalista

Edição EDIÇÃO 16964




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