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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 06 de Dezembro de 2014, 15h:42

EDUARDO GOMES

De cereja do bolo

Mato Grosso é o estado mais desrespeitado no quesito princípio federativo. Sua receita é frustrada pela desoneração concedida às commodities pela Lei Kandir. Sua fronteira é violada diante da indiferença do Ministério da Defesa. Pela ineficiência do Incra, seu mosaico fundiário é turvo. A reforma agrária é uma farsa. O SUS não funciona. O Ibama é fantasioso. O DNPM é distante. O controle do espaço aéreo é pífio. O setor de transporte é estrangulado... Mesmo que Mato Grosso tivesse uma classe política realmente atuante, seus dirigentes sindicais não fossem atrelados e a população se mobilizasse não seria fácil reverter esse cenário. E ele ganha contornos de irreversibilidade pela omissão e insensibilidade de muitos daqueles que deveriam puxar o coro da defesa mato-grossense. O cenário é triste. Mais triste ainda se torna quando as forças que desqualificam o princípio federativo avançam sobre Mato Grosso buscando ferir de morte seu agronegócio. Quando isso ocorre – e sempre acontece – não faltam gargantas de silêncio conivente e vozes ensandecidas proferindo sentenças condenatórias emanadas pelos tribunais de exceção que se alojam nas mentes de plantão prontas para tripudiar sobre a terra de Ênio Pipino, Valdon Varjão, Irmã Maria Adelis, Manoel de Barros e do coronel José Meirelles. A frase “A reforma agrária é uma farsa” que está no primeiro parágrafo não é bordão: é a verdade mais cristalina contra a qual a classe política não se levanta e a população se cala. Porém, quando uma operação policial é desencadeada contra políticos ou contra pessoas próximas a eles, as mentes botam em prática os tribunais de exceção. O peso político de Mato Grosso em Brasília é pouco mais que zero e raras são as tentativas de mudança desse quadro. Um dos mecanismos para tanto é a participação de mato-grossenses nos altos cargos do governo federal. Quando Luiz Antônio Pagot presidiu o Dnit as nossas rodovias federais viraram canteiros de obras; Pagot saiu do cargo, mas deixou projetos que continuam em andamento, porém lentamente, por falta de prata da casa para executá-los com rapidez. A operação Terra Prometida que ainda está nas manchetes se for estendida a todos os assentamentos do Incra encontrará irregularidades porque a reforma agrária por aqui é farsa. É preciso ordenar a questão agrária, mas sem pirotecnia policialesca, porque se a ordem for prender ao invés de solucionar, Mato Grosso se transformará numa penitenciária maior que muitos países. É lamentável tanto silêncio e vozes inoportunas, como aquela do repórter de TV, que ouviu um denunciante não-identificado acusar o ministro da Agricultura, Neli Geller, de madeireiro em Itanhanhá, como se o cerrado fosse área madeireira. Chega de cereja no bolo envenenado servido a Mato Grosso. EDUARDO GOMES de Andrade é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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