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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 10 de Março de 2009, 20h:10

EDUARDO GOMES

De caminho

Mangabeira Unger volta a Mato Grosso para mais uma vez falar sobre o “Plano Amazônia Sustentável (PAS)”, sob coordenação de seu ministério. Em oportunidades anteriores o ouvi sobre o tema, em Sinop - onde estará amanhã -, em Cuiabá, Mato Grosso afora. O discurso e o sotaque são os mesmos. A prática, nenhuma. Mato Grosso demonstra uma intrigante mea culpa quando o assunto meio ambiente é tratado com ministros e jornalistas estrangeiros. Nunca as autoridades locais cobram isonomia federativa nem conseguem mostrar que atualmente a área em fase de reflorestamento é bem maior do que aquela citada pelo Deter. Está em curso desde junho de 2006 um acordo de governança do Greenpeace com a Anec e Abiove juntamente com suas associadas Bunge, Cargill, AMaggi, Dreyfus e ADM, que retira do mercado internacional a soja cultivada no bioma amazônico em área desmatada após esse entendimento. Ou seja, não há desmatamento para a agricultura. A pecuária capenga e sequer consegue recuperar parte dos milhões de hectares de pastagem degradada nos quatro cantos do estado. Não culpem o boi pelos mascarados números do entre aspas desmatamento. A agricultura está contida e a pecuária também. Restam os madeireiros. Evidentemente que eles desmatam, porem seletivamente, sem uso de fogo e sem destruir a floresta. Essa atividade é legal e conta com cobertura de planos de manejos. A Sema, que tem a gestão florestal em Mato Grosso, seria capaz de quantificar para Mangabeira a área que legalmente pode ser explorada por madeireiros? Teria condições de demonstrar quanto de área derrubada acima do permitido pela MP 2166 foi ou está sendo reflorestada graças a termos de ajustamento de conduta? Enquanto Mato Grosso permanecer ouvindo Mangabeira falar no PAS, com base em princípios filosóficos e tomando por parâmetro o extrativismo acreano, não irá a lugar nenhum. Sua economia será sempre sufocada, sua autonomia violada. Chega de discursos importados, de quem conhece a Amazônia pelos compêndios. A hora é de falar e não de ouvir. Mato Grosso tem que levantar o topete e não permitir ações pirotécnicas em seu território. Alguém já viu a soldadesca e a fiscalização do Ibama nas terras de Minas repetindo o que faz aqui? Claro que não, respondo. Melhor que ouvir a retórica de Mangabeira sobre construção de vicinais na Amazônia é lhe dizer que Mato Grosso sabe traçar seu próprio caminho. EDUARDO GOMES é repórter [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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