Cuiabá, manhã de 6 de julho de 2006. Dante de Oliveira entra num hospital particular em busca de atendimento. Seu quadro de saúde agrava-se rapidamente. Durante 12 horas uma equipe médica lança mão de todos os recursos possíveis na tentativa de salvá-lo; tudo em vão. O paciente perdeu a luta contra uma infecção generalizada causada por pneumonia agravada com agudo quadro de diabetes. O dia de Dante tinha mais de 24 horas e ele vivia intensamente sua paixão pela política. Sempre que possível encontrava tempo para caminhar, mas sua agenda não tinha espaço sequer para adoecer. Democrata convicto Dante sabia respeitar os resultados das urnas. Sua postura na vida o levou ao topo do cenário político nacional. Sua morte tirou de cena o maior vulto mato-grossense saído da resistência democrática. Dante Martins de Oliveira era cuiabano, engenheiro civil por formação acadêmica e político por opção e paixão. Morreu aos 54 anos deixando a viúva, companheira de ideais políticos e deputada federal Thelma de Oliveira (PSDB); a mãe, dona Maria Benedita; irmãos e sobrinhos. Também deixou uma legião de seguidores órfã politicamente. O texto acima, em três parágrafos, é parte do material que produzi para o Diário quando completou um ano do adeus de Dante. Democrata convicto, Dante deixou suas impressões digitais no processo de redemocratização que sepultou o regime de 1964. Foi ministro de Estado, governador por dois mandatos e exerceu outros relevantes cargos. Nacionalmente será sempre lembrado por sua emenda que pedia o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. Para o povo mato-grossense a memória de Dante se perpetua no conjunto de sua obra política e suas ações administrativas e sociais. Graças ao seu governo Mato Grosso deixou de importar e se tornou exportador de energia elétrica. Enquanto houver uma rodovia sendo pavimentada ou uma casa popular em construção com recursos do Fundo Estadual de Habitação e Transporte (Fethab), ali estará sua visão de estadista que o levou a criar esse Fundo. Mato Grosso deve se orgulhar do privilégio de ser berço do visionário democrático ex-governador Dante, seu filho mais ilustre nascido no século passado. Sua morte foi consequência natural do ciclo da vida humana e assim tem que ser compreendida. Ao invés de lágrimas pelo ex-governador, o mato-grossense precisa sorrir a mais pura felicidade porque o teve à frente de seu Estado. Somente perde um líder do quilate de Dante quem o tem. Mato Grosso o teve e isso basta. EDUARDO GOMES é jornalista
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