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ARTIGO
Quinta-feira, 12 de Junho de 2008, 23h:33

GILBERTO GOELLNER

Crise ambiental: é hora de acordo

Em cena novamente as questões ambientais e fundiárias. Voltam a ser a bola da vez. No calor dos debates sobre o assunto, entre defesas e acusações, adotam-se posições de toda a sorte, e, às vezes, tão contraditórias, que acabam levando mais intranqüilidade do que paz ao já intranqüilo campo brasileiro. Quem assiste ao problema, mas não o vivencia, identifica protetores de um lado e infratores do outro. Um conflito vendido pela mídia à população urbana como uma luta entre o bem e o mal; entre mocinhos e bandidos. Os espectadores estrangeiros ficam excitados só em pensar que podem participar da defesa do meio ambiente no Brasil. Uma postura que adotam agora para compensar o que não fizeram em seu próprio país ou, então, para buscar aqui negócios lucrativos para si próprios. A verdade é que, na atual conjuntura, os ânimos estão muito acirrados, tanto do lado dos que detêm algum tipo de poder sobre o fato, quanto dos que julgam deter; estando todas essas pessoas de "cabeça quente". Tanto é assim, que o que elas dizem ao público serve mais à mídia do que às negociações. Acredito, no entanto, que, neste momento, o mais conveniente é que nós brasileiros trabalhemos longe dos holofotes a fim de evitar que os ânimos se exacerbam mais ainda, e fiquemos desnorteados no trabalho. Debater sobre matéria dessa complexidade exige conhecimento técnico, desapego ideológico, abertura de espírito para disputa de idéias e, acima de tudo, bastante criatividade, sem perder, contudo, o objetivo principal da tarefa. Sem dúvida, os problemas ambientais e fundiários que estão em foco constituem, para os produtores mato-grossenses e os da Amazônia, um grande empecilho para o desenvolvimento sustentado. O acelerado processo de ocupação daquela área nas últimas décadas, feito desordenadamente, e os minguados investimentos públicos na área impediram que houvesse ali um desenvolvimento harmônico. Também as crises por que têm passado os produtores daquela região, como também seus moradores, crises que têm sido cíclicas, vêm impedindo que se trabalhe ali com tranqüilidade, segurança e equilíbrio. Famílias inteiras vagueiam pela região em busca da própria sobrevivência, sem nenhuma assistência oficial ou apoio governamental. Indivíduos sem escrúpulos se valem desse cenário de desesperança para tirar proveito à custa da miséria de muitos e da depredação do meio ambiente. Por outro lado, investidores responsáveis sentem-se intranqüilos com a instabilidade das políticas de incentivo do governo e com a possibilidade de serem colocados no mesmo saco de bandidos e de gente inescrupulosa. Porém, mesmo diante de toda essa consternação, os órgãos públicos ainda não conseguem entrar em sintonia uns com os outros e acabam sendo quase que somente espectadores dessa difícil situação, ficando embatucados no que fazer para superá-la. Mas, basta! Já está mais do que na hora de enfrentar essas questões com maturidade e equilíbrio. Os procedimentos convencionais adotados até aqui se mostraram ineficazes. É necessário, agora, além de somar esforços entre governo e povo, que os órgãos públicos envolvidos na busca dessa solução estejam em sintonia no traçar suas ações de luta contra esse estado de coisas. E deverão fazê-lo sem preconceitos, mas com muita responsabilidade social e ambiental. É o momento para se proceder à adequação ambiental a fim de trazer à legalidade os proprietários rurais; é o momento de promover a educação ambiental e de assegurar o equilíbrio do meio ambiente; é o momento de buscar o desenvolvimento sustentado e de resguardar a imagem dos produtos brasileiros no exterior. Em Mato Grosso, no município de Lucas do Rio Verde, foi criado o programa Lucas Legal. É um programa de adequação ambiental e fundiária. Nesse rastro, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso criou e está estruturando o Mato Grosso Legal. É uma providência criativa, que tem tudo para ganhar fôlego e ir adiante cumprindo seu objetivo, que é identificar os passivos ambientais nas propriedades rurais e as alternativas para a sua recuperação, preservação e regularização ambientais dessas propriedades e posses rurais. Portanto, ela merece ser apoiada em âmbito mais amplo e contar com a participação efetiva do governo federal, numa integração perfeita entre órgãos e entidades regionais, estaduais e municipais. Proponho, portanto, um grande pacto, um grande acordo, entre o governo federal, o governo estadual, o poder legislativo estadual e federal, o ministério público, as prefeituras, as entidades representativas dos produtores rurais, os agentes econômicos que atuam na região, as ONGs e todos os que se preocupam com essa crise do meio ambiente e desejam que o país a supere. O tempo das disputas já passou! Agora, é buscar soluções e olhar para a frente. A sociedade inteira e o meio ambiente exigem comportamentos maduros e, acima de tudo, construtivos. GILBERTO GOELLNER é engenheiro agrônomo, produtor rural e empresário do agronegócio e, atualmente, é Senador da República pelo estado de Mato Grosso (DEM).

Edição EDIÇÃO 16959




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