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ARTIGO
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009, 21h:33

TEOBALDO WITTER

Criança precisa de segurança

“Desse modo, a promoção de uma cultura de paz deve reconhecer as suas individualidades (de crianças e adolescentes), assim como a centralidade do papel dos pais na educação de seus filhos para a vida e a cidadania” (Texto base p. 31). A reflexão acima, do texto base da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, coloca a centralidade da educação para a vida e a cidadania sob responsabilidade dos pais. É o eixo 5, prevenção social do crime e das violências e a construção da cultura da paz. É ideologia neoliberal que não assume crianças, nem idosos, nem doentes, porque não produzem. Outrossim, entendo que pais tem esta responsabilidade do cuidado e da educação de crianças. Mas não sozinhos. Há uma série de fatores a considerar. Entre eles destaco a faixa etária, o trânsito, a família, o poder municipal, o cuidado e a educação. O que cada um de nós pode fazer para melhorar a segurança na cidade? O trânsito é cruel com as crianças. Todos os homens e mulheres estão sendo convocados para a adoção de ações que promovem a segurança das crianças no trânsito. O trânsito é perigoso e cruel com as crianças. As estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) apontam que, em 2006, 21.199 crianças de 0 a 12 anos foram vítimas em acidentes. O calçamento nas cidades é desastroso. É um horror para as crianças a falta de calçamento em Mato Grosso. A maior parte das administrações, de tempos recentes, na grande maioria das cidades brasileiras, não cuida das calçadas das cidades. Elas são quase ausentes. Quando existem, não é possível andar por elas com segurança. Cidade segura tem local para caminhar em segurança. Mas em nossas cidades, quanta dificuldade e perigo para caminhar nas calçadas! Nas ruas o trânsito de caminhões, máquinas pesadas (tratores, carregadeiras e patrolas) e carros soltando fumaça é ameaçador à vida e à saúde das crianças. Condutores apressados, desatentos, estressados, falando ao celular, assim como os bêbados e drogados no volante são verdadeiros assassinos em potencial. É comum os motoristas falarem ao celular enquanto conduzem seus veículos. Usar celular na direção atrapalha os motoristas tanto quanto como se estivessem sob o efeito de álcool ou drogas, sugere um estudo publicado em Londres, em setembro de 2008. É perigoso falar ao celular enquanto dirige. É como alguém com uma arma engatilhada. É ameaça à vida de outros. O cuidado e educação são necessários. Criança de até 10 anos de idade não pode sair sozinha na rua. Esta é a primeira e mais importante constatação que pais, mães, creches e estabelecimentos de ensino de séries iniciais devem saber. Não se deixa uma criança pequena andar sozinha pela rua, onde há trânsito de veículos. Crianças até 10 anos têm condições muito limitadas para elaborar hipóteses. No trânsito, entra em funcionamento um complexo sistema mental de elaboração de hipótese. Além de cuidar melhor, cabe-nos a responsabilidade de educar as crianças. A personalidade se constitui até 6 anos de idade. Não é somente ao se tornar adulto que alguém tem, de um momento para outro, postura cidadã ou criminosa. Adultas, as pessoas vivem as experiências que tem armazenadas no seu inconsciente. Os pais devem estar atentos para isso ao cuidar e educar suas crianças. Mas não só os pais. Em Cuiabá, por exemplo, menos de 30% das crianças pequenas tem vagas em creches. Aonde estão aquelas que não tem vagas? Devido à dificuldade de sobrevivência dos pais, a maioria delas estão sozinhas ou na rua, mal cuidadas e mal educadas ou, quando tem, com as avós. Lembrando, conforme refletimos acima, a personalidade das pessoas se forma nesta idade. Aqui, o poder municipal está omisso. Outro tema que devemos tratar é a falta de segurança que as crianças pequenas tem dentro de seus próprios lares. Não é possível segurança pública, sem o cuidado e a educação de crianças pequenas. * TEOBALDO WITTER é pastor e professor [email protected]

Edição EDIÇÃO 16968




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