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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 18 de Setembro de 2010, 12h:42

PAULO HAYASHI JR.

Conhecimento e vontade

Aprendemos desde cedo, na verdade antes mesmo de nosso nascimento, que o egoísmo e o pensar e agir para o nosso proveito em detrimento do próximo é o caminho do sucesso e da felicidade. Assim são as células sexuais masculinas que disputam à vida ou o bebê que chora em busca de alimento ou atenção. Todavia, ao atravessarmos estas fases iniciais, começamos a perceber que o desafio da vida não é manter a trilha do egoísmo e do orgulho, mas, pelo contrário, mudar o rumo para o pólo oposto. Ou seja, a estratégia dominante na fase do bebê já não serve para a fase adulta, sendo a juventude uma etapa de transição. Se ela - a transição - for realizada de maneira adequada, o adulto será uma pessoa altruística, pensando e agindo mais para o bem do próximo do que para si mesma. Um ser útil que pensa e coopera com todos. O inverso também pode ocorrer. O adulto como mera continuidade da fase inicial. Agora um egoísta não mais em corpo de bebê, mas com o corpo e mente de adulto que, muito certamente, trará amargores para si e para outros, podendo causar grandes estragos pessoais e sociais. Desta forma, é necessário prestar atenção nesta mudança de rumo, podendo chamá-la de desabrochar do ser para uma vida mais ampla, superior, uma consciência desarraigada do apego do ego para uma vida mais interessada, empática e emocionalmente, com o próximo. Neste ponto, cabe não apenas os cuidados dos pais, pois o infante é reflexo da educação dos genitores, mas também a leitura edificante e o gerenciamento da própria vontade. Não seria esta última o gatilho para parar o padrão do egoísmo e alterar seu curso? Além disso, podemos destacar que tal vontade precisa vir com intensidade, pois, como sabemos, é necessário força para parar um movimento e colocá-lo de volta em sentido contrário. A força de vontade, vontade inabalável, a própria fé são maneiras de conceituar tal questão. Assim, tenhamos, não a boa vontade feita por intenções plenamente válidas, mas sem aplicação prática, mas a vontade que se exercita e se fortalece pela ação, o amor em ação, ou caridade. Esta última não é apenas a lição mais avançada do ser humano, mas também a mais meritória. Quão prazeroso é ser reconhecido como boa pessoa, bom cidadão, bom trabalhador, boa alma. Mais meritório ainda é receber tais elogios de pessoas anônimas, desconhecidas, pois são eles que, verdadeiramente, dão testemunho de nossa evolução e progresso de ser civilizado e operando positivamente para a sociedade. Uma sociedade superior e salutar é feita por pessoas assim. E se faltar conhecimento e vontade? Aí pouco é possível fazer, pois não se altera o outro sem que ele queira. Assim, resta paciência para passar o tempo e esperar que venha a dor, emérita professora da Humanidade, com a sua lição para a reeducação dos hábitos e de disciplina deste homem que não soube mudar os rumos de sua vida quando deveria. Ou seja, é pela falta de conhecimento e de vontade que o homem atravessa os espinhos da insatisfação que ele próprio craveja na carne, pois como bem disse Paulo de Tarso: “o que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherᔠ(Gálatas 6, 7). Cada qual é dado segundo seus méritos e ações. Nada mais justo, nada mais lógico. * PAULO HAYASHI JR. - Doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Edição EDIÇÃO 16959




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